Vacina da covid e polarização numa visão transpessoal

Hoje quero “quebrar o tabu” sobre um tema que foi multo polêmico: vacina da covid e polarização, que gerou conflitos, disputas, divisões e separou famílias e relações.

Antes de tudo, quero deixar meu pesar a todas as vítimas da pandemia e a você que perdeu um ente querido. Deixar meu respeito a todos que tomaram a vacina da covid. Que buscaram a redução da severidade da doença e fizeram o que estava a seu alcance para contribuir com a sociedade e reduzir os danos e número de mortos.

Sabemos da importância das vacinas e de se tomar as vacinas tradicionais consideradas obrigatórias, para prevenção de doenças como difteria, rubéola, sarampo, paralisia infantil e tuberculose. As vacinas tradicionais do Calendário Nacional de Vacinação contribuem para a prevenção e erradicação de doenças e infecções graves e é fundamental que cada um faça sua parte para proteger toda a comunidade.

Por isso, é importante esclarecer que esse post se refere exclusivamente à polêmica vacina da covid, pois observei muitas fake news e viés político sobre este tema de ambos os lados, de quem tomou e não tomou a vacina. E teorias da conspiração do lado de quem não tomou. Fatores que na minha visão, intensificam a polarização e consequentemente, a separação da sociedade.

Portanto, como o objetivo deste post é transcender a polarização sobre a vacina da covid, vamos deixar tudo isso de lado e vamos abordar unicamente fatos e dados científicos. Pois muitas pessoas que conheço (tanto que tomaram quanto que não tomaram essa vacina) não tomaram sua decisão baseada na transparência dos dados.

Por isso, quero contar um pouco sobre como tenho visto isso e, no final, vou explicar por que decidi expor isso agora e porque isso é importante.

A polêmica vacina da covid

Em 2021, passei algumas madrugadas estudando pesquisas e artigos científicos sobre pandemias virais e os dados que tínhamos sobre as novas vacinas e tecnologia de mRNA. Infelizmente, a maior parte das pesquisas e artigos não tinham tradução para o português, por isso entendo a importância de tornar algumas dessas informações mais acessíveis.

Pode ser que você já tenha conhecimento disso tudo. Pode ser que você não tinha e mesmo depois de ler isso, manterá a sua certeza de que tomou a melhor decisão – independentemente de qual seja – e isso é ótimo! Melhor ainda, porque sua posição estará fundamentada em dados transparentes.

Então, convido você a conferir algumas dessas informações sobre a vacina da covid.

Mas antes, gostaria de fazer algumas perguntas:

1. Você leu a bula de cada vacina?
2. Você conhece as diferenças entre as vacinas Coronavac, Astrazeneca, Pfizer e Janssen, disponíveis no Brasil?
3. Você sabe dizer quais são os benefícios de ter tomado a vacina que tomou?
4. Você sabe dizer quais são os raros efeitos colaterais e suas estatísticas?
5. Você sabe quanto tempo dura em média uma pandemia viral?
6. Você sabe como funciona as mutações de um vírus em termos de transmissibilidade e letalidade?
7. Você conhece alguém que pegou covid/a transmitiu depois de ter tomado as doses da vacina? Você sabe por que isso aconteceu?
8. Você sabe o que é necessário para gerar imunidade de rebanho?

Depois dessas reflexões, compare agora a linha do tempo de algumas informações que vi nas mídias brasileiras e de autoridades X o que vi de fatos e dados científicos:

2021

MÍDIAS E AUTORIDADESFATOS E DADOS DA ÉPOCA
essa vacina é 100% seguraa vacina pode ter efeitos colaterais, como qualquer medicamento
os efeitos colaterais são rarosas estatísticas dos efeitos colaterais ainda estão em estudo
uma dose é suficienteuma dose não foi suficiente
duas doses são suficientesobservou-se que a eficácia dessas vacinas são de cerca de 95% na primeira semana e caem para cerca de 35% a partir da segunda semana, variando de acordo com a marca, versão de atualização, e mutação do vírus em circulação.
a vacina é eficaz para impedir a infecção e transmissãoessas vacinas não impedem a infecção e transmissão
a vacina não impede infecção e transmissão, mas evita a morte por covidtivemos vacinados que morreram de covid
a vacina abranda a severidade da covida vacina abranda a severidade da covid
a vacinação em massa com essas vacinas vai gerar imunidade de rebanhovacinas com taxa de eficácia de cerca de 35% ao longo das semanas após a aplicação somado à velocidade de mutação do vírus não tem capacidade de gerar imunidade de rebanho
Vacinas Astrazeneca e Janssen são segurasPaíses europeus suspenderam o uso das Vacinas da Astrazeneca, e os EUA restringiram o uso das vacinas Janssen, por conta de riscos de coágulos que podem levar a AVC e trombose.
essas vacinas são a única forma de acabar com a pandemiavacinas que tem sua eficácia reduzida para cerca de 35% ao longo das semanas não tem capacidade de gerar imunidade de rebanho, portanto não foram as vacinas que acabaram com a pandemia
a imunidade gerada por essa vacina é superior à imunidade naturala imunidade natural é similar à da gerada pela vacina
os não vacinados estão ajudando a transmitir o vírusvacinados e não vacinados podem transmitir o vírus
os não vacinados estão se aproveitando da imunidade de rebanho de todos que tomaraminfelizmente essas vacinas ainda não tem capacidade de gerar imunidade de rebanho

Como assim, não gera imunidade de rebanho? O que acabou com a pandemia então?

De acordo com artigo publicado pela Universidade de John Hopkins antes de 2020, a natureza dos vírus em geral é de sofrerem mutações naturais de modo a aumentar sua transmissibilidade e ao mesmo tempo diminuir sua letalidade. Pois dessa forma, eles se espalham mais. Observou-se também que as pandemias virais costumam durar em torno de 2 anos, tempo em que o vírus vai naturalmente sofrendo mutações de modo a ser cada vez mais transmissível e menos letal. Ou seja, os vírus costumam mutar até virar uma gripe branda para nós. Diferentemente das pandemias geradas por bactérias. Por isso, não vacinados, quando pegaram a covid a partir da mutação ômicron, menos letal, em geral também tiveram sintomas brandos.

Aprendizados que extraí da pandemia e da vacina da covid

Foi tocante ver o quanto cada um se mobilizou para fazer sua parte e contribuir da forma que estava ao seu alcance para reduzir os danos dessa pandemia. Cada setor da sociedade, e especialmente os médicos e profissionais da área da saúde que estavam na linha de frente, cientistas e laboratórios correndo atrás do tempo para desenvolver tecnologia para salvar vidas.

Ao mesmo tempo, um dos saldos que vejo dessa história toda é o convite da própria ciência para colocarmos os pés no chão com mais humildade. Reconhecer que há coisas que são maiores do que nós, que nem tudo controlamos. Que nem sempre nós conseguimos aquilo que prometemos, que nem sempre somos nós, no fim das contas, que nos salvamos. As vacinas e esforços de cada um contribuíram para a redução dos danos, mas o que a ciência mostra é que, independentemente da tecnologia que conseguimos desenvolver, a pandemia iria acabar. E que dessa vez, ainda não foi por nossa causa.

Polarização, realidade, ponto de vista e complexidade

A realidade pressupõe complexidade e é paradoxal. Dizem que quando você enxerga o paradoxo, você está mais perto da verdade. Isso quer dizer que quando caímos em um extremo do polo, inevitavelmente não estamos enxergando o polo oposto.

Criei a tabela acima com o objetivo de ampliar a visão especificamente para este tema, incluindo ambos os lados com base em fatos e dados da época.

Ter opinião e defender um ponto de vista é importante. Porém, não desenvolver a capacidade de enxergar o todo, ou perder a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa e de dialogar é o que danifica as relações e separa a sociedade.

Mas Sandrine, por que você está compartilhando tudo isso agora, quando a pandemia já passou?

O principal motivo guardo para mim. O motivo que quero expor aqui é que me sinto bem de poder contribuir com reflexões que considero importantes em tempos de fake news e clickbaits, engenharia social e (cada vez mais) polarização e intolerância. A divisão da sociedade entre polos extremos separa famílias, tem efeitos nocivos em todas as relações, impacta na saúde mental e gera custos para toda a sociedade.

Como a visão transpessoal pode contribuir em tempos de polarização?

Quando falamos em intolerância, é importante lembrar que existem várias formas de violência, que não são físicas e tem efeitos tão devastadores quanto.

Vejo que é urgente uma nova educação para tempos de polarização, fundamentadas no paradigma da inclusão em vez da exclusão, da coexistência em vez da oposição. Na valorização da razão, no desenvolvimento da flexibilidade cognitiva, uso consciente da tecnologia, promoção de valores como respeito e empatia, e exercícios de tolerância acima de motivações passionais. São tempos em que se faz urgente a integração das visões opostas. O Princípio da Transcendência nunca se fez tão necessário.

Além disso, meu instinto de sobrevivência não permitiu que eu me expressasse antes sobre esse tema, pois eu não sairia no meio de um tiroteio para levar um tiro de graça. Em alguns momentos senti o gosto de viver numa ditadura no sentido de ideologia, coerção, direito de ir e vir e censura da livre expressão. Porém, na época, escolhi o exílio da minha própria solidão.

Gosto muito dessa imagem sobre a tendência a acreditar que nossa verdade é absoluta:

Reflexões do presente para o futuro

Certamente, cada vez mais assuntos polarizados surgirão. Nosso passado é a referência que projeta nosso futuro. Portanto, deixo minha contribuição para que tenhamos mais cuidado, respeito e empatia com o diferente. Por relações mais efetivas e afetivas, porque somos seres afetivos. E assim que estabelecemos vínculos, nossos afetos podem nos afetar tanto positiva quanto negativamente.

Não há auto responsabilidade emocional que seja imune aos nossos afetos. Nossos afetos nos afetam, por isso assim os chamamos. Com qual cuidado você nutre os seus em situações de divergência?

Por último, acredito que todos nós deixamos nosso pesar para milhões de vítimas dessa pandemia fatal e nossa compaixão para seus familiares e entes queridos.

Hoje, no entanto, deixo a pergunta: você conhece alguém que teve problema de saúde por causa dessa vacina? Você já pensou que pode ter alguém próximo a você que não tem coragem de compartilhar sua dor porque acredita que será desacreditado? Pense nisso também e, se desejar, deixe sua contribuição nos comentários. Até o próximo post!

O Universo Transpessoal reitera a importância das vacinas na prevenção e erradicação de doenças como difteria, rubéola, sarampo, paralisia infantil e tuberculose. As vacinas tradicionais do Calendário Nacional de Vacinação contribuem para a prevenção e erradicação de doenças e infecções graves e é fundamental que cada um faça sua parte para proteger toda a comunidade.

Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

3 Comentários

  1. Perfeito! Concordo com a sua análise em gênero, número e grau. Você sumarizou muito bem muito do que eu muitas vezes tentei explicar para as pessoas durante a Pandemia (talvez eu não tenha sido tão hábil). Sinto que aqueles que defendiam a “ciência” eram os que menos tinham interesse em entende-la. E olha que eu tomei 2 doses da vacina, porém eu sempre entrava neste assunto por defender até a morte o direito de cada um escolher tomar ou não a vacina.

  2. Obrigada por compartilhar e também prezar pela ciência! Que bom que temos a vacina da covid disponível e cada um pode avaliar seu risco-benefício e escolher entre tomar ou não tomar. Abraços!


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