The Midnight Gospel: assista a série Transpessoal da Netflix

Você já assistiu a The Midnight Gospel, a nova série de animação da Netflix? São 8 episódios que trazem Clancy como personagem principal, um vlogger espacial que usa um simulador de universos com defeito. A animação explora questões transpessoais sobre a existência e a natureza da realidade e transita por temas complexos como meditação, autoconhecimento e reflexões sobre a vida e a morte, com perspectivas das filosofias orientais.

Em cada planeta que Clancy escolhe visitar/nascer, o jovem entrevista pessoas sobre temas diferentes que se relacionam à natureza da realidade. Em comum, ele e os entrevistados estão sempre em uma situação caótica que caminha para a morte. A morte, inclusive, é uma das entrevistadas. E esse é um dos pontos interessantes da série que traz o aspecto não depressivo dela. Ao contrário, refletir sobre a finitude se mostra uma ferramenta para atravessar o sofrimento, acalmar a mente, evitar ansiedades e ampliar o autoconhecimento.

Excesso de informações: uma nova linguagem

Além de transitar por temas transpessoais que tenho certeza que você vai amar, The Midnight Gospel traz uma abordagem narrativa um tanto desafiadora. Fruto da parceria entre o produtor Pendleton Ward, criador de “Hora de Aventura”, e o comediante norte-americano Duncan Trussell, os episódios são quase podcasts ilustrados por uma quantidade abusiva de efeitos visuais, competindo com a complexidade das conversas pautadas no autoconhecimento.

De fato, é uma linguagem inovadora pois retrata com uma precisão absurda o excesso de informações que fazem parte do nosso dia a dia, e ao mesmo tempo, leva você a se perceber imerso nos desafios do caos que estamos vivenciando. Por exemplo, o desenho discute os desafios da meditação ao mesmo tempo que retrata a velocidade e a quantidade de pensamentos aleatórios que inundam a cabeça dos iniciantes na prática enquanto tentam encontrar a si mesmos ou a seu próprio equilíbrio. Por isso, quem se permite atravessar a quantidade de estímulos dissociados do desenho corre o risco de despertar conhecimentos e insights valiosos para a vida. Vale muito a pena assistir.

The Midnight Gospel: sobre a vida e a morte

fsérieUma das capacidades da série é a de te levar a um estado natural de contemplação. Pois justamente por conta do excesso de estímulos, você simplesmente não consegue acompanhar tudo – ou seja – precisa aceitar que não tem controle. Isso inclusive pode ser muito terapêutico no período de pandemia que estamos vivenciando.

Chorei muito no episódio 8 (e conheço mais pessoas que se emocionaram!), o qual mostra um diálogo real entre Trussell, um dos autores, e sua mãe (psicóloga que morreu em 2013). Ela diz: “Chorar quando precisar e encarar a morte, mesmo que tenha medo, não vai te machucar. Veja o que ela tem a ensinar. Ela é uma ótima professora, e não cobra nada”. 

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Renascimento na série

A ideia de renascimento surge em diferentes momentos da série, como quando Clancy dá à luz à mãe, ou quando uma das convidadas compara a morte de Jesus Cristo com o trabalho de parto. “Você contrai, comprime, depois solta e respira. (…) E sabe o que sai disso? Uma nova vida“, diz ela. A própria máquina que dá origem aos mundos simulados de Clancy tem a forma de uma vagina gigante. A animação te leva a uma verdadeira jornada transpessoal dentro e fora de você.

Transcendência e a dimensão transpessoal

A série traz os aspectos transcendentes da experiência humana a partir de uma narrativa simplesmente genial e imersiva. A dimensão transpessoal que se torna visível por meio de experiências meditativas, conexões com a natureza, sonhos, intuições, visões, e muitas vezes de crises de adoecimento e sofrimento, agora ganha forma também nessa obra incrível que tenho certeza que você vai gostar de assistir!

No mínimo, a animação vai levar você a uma experiência narrativa totalmente diferente de tudo o que você já experimentou, além de provocar reflexões, trazer insights importantes e te motivar a criar uma relação mais saudável com a vida, a morte e o luto.

Já assistiu? Então conta pra gente nos comentários a sua opinião sobre essa série e quais foram os insights mais marcantes para você ❤️

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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

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