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Consciência

Professor de Harvard defende o fim das avaliações tradicionais

Professor Harvard

Na opinião de Eric Mazur, os exames que conferem notas aos estudantes não são eficientes para captar o desenvolvimento de habilidades

Eric Mazur é físico, professor de Harvard e criador de uma das metodologias ativas mais usadas no mundo: o peer instruction, ou aprendizado entre pares.

Além de defender a utilização desta e de outras metodologias que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem, Mazur, também vem ressaltando em suas apresentações a necessidade de os educadores abandonarem as avaliações tradicionais. De acordo com o professor, o modelo tradicional de avaliação afasta os estudantes da realidade do mercado de trabalho. “Há um grande contraste entre a educação que recebemos e o local de trabalho. Na universidade, os estudantes estão focados no conteúdo, no local de trabalho não, o que importa são as habilidades dos profissionais”, explicou.

“A universidade está preocupada com o indivíduo, mas no local de trabalho, as pessoas trabalham em equipe e precisam de habilidades como cooperação”, continuou. “A educação tradicional é passiva, mas os profissionais precisam ser ativos no ambiente de trabalho. Por fim, a universidade está preocupada com o processo de aprendizagem e não com a real solução de problemas, que é importante para o sucesso profissional em todas as atividades”, acrescentou.

De acordo com Mazur, é preciso que as instituições de ensino se preocupem com a aprendizagem e não com o conteúdo e que as Instituições de Ensino Superior abandonem testes inautênticos que valorizam a memorização de respostas ao invés da solução real de problemas da sociedade.

Mazur aponta para a estrutura de organização hierárquica de objetivos educacionais chamada de taxonomia de Bloom, e explica que, infelizmente, o sistema de educação tradicional está focado nos níveis mais baixos da pirâmide, aqueles ligados à memorização, compreensão e aplicação e não na análise, avaliação, criatividade e inovação, que deveriam ser as metas das universidades.

“As práticas de avaliação adotadas pelas Instituições de Ensino Superior desencorajam a resolução de problemas e estigmatizam o fracasso, criando uma aversão ao risco”, pontuou Mazur. “Essas avaliações isolam os indivíduos e os privam de consultas a fontes e informações. Mas nos locais de trabalho as pessoas atuam em conjunto e precisam conversar e pesquisar para realizarem suas tarefas”, refletiu. “As escolas e universidades criam um tipo de ambiente, mas as pessoas nunca vão trabalhar nesse tipo de ambiente. Isso é irreal e uma falácia completa. Precisamos dar acesso à informação e uns aos outros, focar no feedback e não no ranqueamento”.

Segundo Mazur, os sistemas de avaliação tradicional não são capazes de dizer quem será ou não bem sucedido lá na frente, no mercado de trabalho. “Devemos repensar esses métodos de avaliação e começar a aplicar nas salas de aula problemas da vida real, mimetizando situações do mercado de trabalho, incentivando a avaliação por pares e auto-avaliação, por exemplo”, citou. “Precisamos entender que o aprendizado não termina quando o estudante recebe o diploma. Na verdade, esse aprendizado está apenas começando quando esse aluno entra no mercado de trabalho”, enfatizou.

Visão do todo

Em apresentação realizada no 21º Fnesp, promovido pelo Semesp, um dos maiores eventos educacionais da América Latina, o professor de Harvard declarou que “qualquer tipo de métrica fácil é inútil” em função de sua dificuldade em medir o desenvolvimento de habilidades. “Como você pode classificar uma coisa complexa como o ser humano em uma letra ou com um número?”, questionou.

No lugar dos testes que dão notas aos alunos, os professores deveriam produzir relatórios sobre o desenvolvimento do aluno, contemplando não apenas a aquisição de conteúdos, mas a conquista de habilidades como a capacidade de trabalhar em grupo, o engajamento e o profissionalismo.

“Os alunos também deveriam ter a oportunidade de se avaliar e avaliar seus pares”, ressaltou Mazur.

Neste vídeo abaixo de 2015, Eric Mazur fala sobre o peer instruction, ou aprendizado entre pares e seu ponto de vista sobre o processo de educação e aprendizagem. (em inglês com tradução em português – legendado):

Fonte: SEMESP
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