O que Jung e a Constelação Familiar tem em comum?

Muito se fala sobre a Constelação Familiar como um metódo fenomenológico de cura das relações. Que curiosamente se difundiu muito mais a partir da prática do que da teoria. Enquanto a recente Constelação Sistêmica Familiar de Bert Hellinger, também chamada de Constelações Familiares, promove a oportunidade de observar e vivenciar as dinâmicas invisíveis das relações. Na década de 1930 o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, discípulo de Freud e criador da Psicologia Analítica, desenvolveu o conceito de inconsciente coletivo.

A Constelação Familiar e o inconsciente coletivo de Jung

Carl Jung chamou de inconsciente coletivo o que seria a camada mais profunda da psiquê, constituído por materiais herdados e onde residem os traços funcionais. Tais como imagens virtuais, que seriam comuns a todos os seres humanos: também conhecidos por arquétipos.

A visão transpessoal de Jung diferenciou ainda as camadas do inconsciente coletivo, cujas influências vão além da psiquê humana: inicialmente, o inconsciente coletivo familiar, depois o inconsciente coletivo do grupo étnico e cultural e, por fim, o inconsciente coletivo primordial.

Este último seria onde se encontra tudo que é comum à humanidade como o medo do escuro e o instinto de sobrevivência, por exemplo.

Segundo Jung, o inconsciente coletivo supõe uma certa transmissão inconsciente, que seria uma das chaves teóricas que explicariam o fenômeno das Constelações.

Para entendermos melhor a relação da teoria de Jung sobre o inconsciente coletivo com a Constelação Sistêmica Familiar de Bert Hellinger, trouxe este texto adaptado da psicoterapeuta italiana Maura Saita Ravizza que traduz muito bem o que Jung e as Constelações tem em comum:

“Enquanto eu trabalhava a minha árvore genealógica, entendi a estranha comunidade de destino que me liga aos meus antepassados.

Tive fortemente o sentimento de estar sob a influência de coisas ou de problemas que foram deixados incompletos ou sem resposta pelos meus pais, pelos meus avós e pelos meus antepassados.

Me parece que frequentemente existem na família um karma impessoal transmitido pelos pais aos filhos.

Eu sempre pensei que também deveria responder às perguntas que o destino tinha colocado aos meus antepassados e as quais, eles não tinham conseguido encontrar nenhuma resposta, ou que eu também deveria resolver ou simplesmente continuar a ocupar-me dos problemas que em épocas anteriores deixaram em suspenso.

A psicoterapia ainda não se deu conta desta circunstância”.

Podemos perceber como o entendimento de Jung e o conhecimento das Constelações Sistêmicas que nos foi legado por Bert Hellinger se encontram.

Até mesmo porque Hellinger teve influências de várias vertentes que se entrelaçam a Jung, como Moreno, criador do Psicodrama; Arthur Janov da Terapia Primal; Virginia Satir, da Terapia Familiar; Milton Erickson, criador da hipnose moderna, entre outros.

Desta forma, a cada constelação, o campo sistêmico revela fenomenologicamente o que está no inconsciente coletivo familiar.

Além disso, os emaranhamentos e dinâmicas transgeracionais, associados a diversos estudos e pesquisas sobre a transmissão epigenética transgeracional dos traumas, estão ampliando os tradicionais conhecimentos das diversas abordagens psicoterapêuticas.

Não só de Carl Jung, mas de diversos pensadores como Freud, Heiddeger, Pearls da Gestalt, Groddeck da Psicossomática e de tantos outros brilhantes pesquisadores da mente humana.

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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

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