Carregando...
Consciência

O que é um oráculo? O que podemos esperar dele?

oraculo-de-delfos

Delfos era reverenciado por todo o mundo grego como o centro do universo e entre os séculos 7 a.C. e 3 d.C., era o local de um famoso oráculo, que ficava dentro de um templo dedicado ao deus Apolo, que exerceu uma influência considerável e foi consultado antes de todos os empreendimentos principais como guerras e fundação das colônias. Era também altamente respeitada em países semi-helênicos como Macedônia, Lídia, Cária e Egito, e era referência para questões políticas, sociais, filosóficas e culturais. Dizem que o rei Creso da Lídia consultou Delfos antes de atacar a Pérsia e recebeu a resposta: “Se você o fizer, destruirá um grande império”. Creso achou a resposta favorável, atacou e foi completamente derrotado (resultando, naturalmente, a destruição de seu próprio império).

É dito também que o oráculo de Delfos proclamou Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates respondeu que, se assim era, isso devia-se a ser o único que estava ciente da sua própria ignorância. A afirmação está relacionada com um dos lemas mais famosos de Delfos, que Sócrates disse ter aprendido lá, γνωθι σεαυτον (gnothi seauton, “conhece-te a ti próprio”). Um outro lema famoso de Delfos é μηδεν αγαν (meden agan, “nada em excesso”).

templo-de-apolo

Foi quando estive lá, visitando as ruínas de Delfos, em 2009, que a palavra oráculo me chamou a atenção, especialmente porque a energia daquele lugar era especial e diferente de todos os templos e lugares que estive. 

A palavra oráculo deriva do latim e significa a resposta de uma divindade dada após uma consulta por meio de ações divinas. A palavra acabou sendo utilizada também como o local onde há a consulta divina e até para se referir à própria divindade consultada.

Os oráculos representam uma espécie de espelho que reflete e materializa (em palavras, respostas ou cartas, por exemplo) nosso inconsciente. Como disse Carl Jung, “até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino”. Contar com uma ferramenta que pode ajudar a trazer a tona o nosso inconsciente é, portanto, uma chave importante tanto para o autoconhecimento e evolução pessoal quanto para facilitar decisões e escolhas mais assertivas na jornada da vida.

COMO FUNCIONA O ORÁCULO

Carl Jung criou o conceito de sincronicidade, que define acontecimentos que se relacionam não por relação causal, mas por relação de significado.

Quando existe uma conexão entre um evento externo e um sentimento, pensamento e desejo internos, pode-se dizer que ocorre uma sincronicidade.

Quando você faz uma pergunta a um oráculo, portanto, a revelação acontece por meio da sincronicidade, por isso é importante que você esteja num momento e local de tranquilidade, onde você possa se concentrar para integrar sentimento e pensamento, ou seja, criar a intenção de receber uma revelação, ao mesmo tempo que pode se sentir conectado à divindidade que também habita dentro de você.

O QUE SE PODE ESPERAR DE UM ORÁCULO?

A função do oráculo é trazer para o mundo visível o mundo do inconsciente, e desta forma trazer insights com base no que estamos construindo no presente e clarear a visão das situações em que nos encontramos, que muitas vezes, por estarmos imersos nela, ficamos confusos ou com a visão obscurecida. Eles podem também apontar para habilidades e potenciais que podemos desenvolver e para desafios a serem superados.

O QUE NÃO SE PODE ESPERAR DO ORÁCULO?

Embora o oráculo seja um meio de trazer ao consciente os possíveis desdobramentos do que estamos co-criando no presente, ele não pode tomar decisões por você e também não fará milagres. Por isso, é importante perguntar “o que posso esperar de…” e evitar perguntas com respostas sim e não. Pois a decisão é sempre sua.

Vale também refletir que a própria vida e o dia-a-dia é um poderoso oráculo. Observar a própria realidade é uma maneira de trazer ao consciente o que você está construindo e co-criando a partir da qualidade das suas crenças, ações, sentimentos e os pensamentos que cultiva.