Observamos atualmente uma necessidade crescente de um enfoque psicológico que contemple a dimensão espiritual, ética e valores construtivos, positivos. A própria inserção na Psiquiatria da Categoria de “Problemas Religiosos e Espirituais” como pertinentes as necessidades psíquicas, faz com que a Psicologia Transpessoal torne-se cada vez mais necessária como um embasamento teórico, que nos proporciona recursos e cuidados para lidar com suavidade e profundidade em uma dimensão psico-espiritual do individuo. Mas isto não acontece somente no espaço clinico, também nas organizações, berço onde Maslow evidenciou as metanecessidades do Ser humano, além da auto-realização, estima, amor e segurança.

Além disso, também na educação a abrangência da Didática Transpessoal (SALDANHA, 2008) nos permite um manancial de instrumentos na prática pedagógica, uma compreensão da relação educador-educando, bem como um entendimento maior da metacognição, motivação e aprendizagem.

Um axioma fundamental na abordagem de orientação Transpessoal é a espiritualidade no Ser humano.
Outros aspectos que se destacam neste enfoque é uma ampliação da cartografia da consciência incluindo experiências antes do nascimento, após a morte física, e de uma dimensão superior da consciência.


Mas, o que haverá para além do eu, do ego ou da pessoa? Parece que tudo…
A busca da essência ou de algo que supere a idéia que fazemos de nós mesmos sempre fez parte da humanidade. No templo de Apolo, em Delfos, havia um frontispício onde se lia seu famoso mandamento “Conhece-te a ti mesmo”. Mas, esse autoconhecimento significava muito mais do que supõem todas as nossas psicoterapias.

Os antigos caldeus buscavam esse autoconhecimento nos astros, onde liam a roda dos destinos. Na Idade Média havia os alquimistas, os cientistas da época, que afirmavam poder transformar chumbo em ouro. Só os tolos não percebiam, porém, que a verdadeira transmutação à qual os alquimistas estavam se referindo ocorria mesmo era no interior da mente, que se tornava áurea, iluminada, autoconsciente. Meu ouro não é o ouro vulgar, dizia Hermes Trismegisto.

Nossa era engrandeceu tanto o pensamento racionalista que nós empobrecemos. Perdemos o contato com aquela dimensão interior que é a sabedoria. Desenvolvemos nosso raciocínio lógico, mas perdemos a chave da compreensão dos mistérios antigos, dos quais falam enigmaticamente os Vedas, os Evangelhos, o Bhagavad-Gita, a Cabala, a Yoga e tantos outros. Ora, nesses mistérios residia a chave da sabedoria. O conhecimento da união mística, que é a união do ser com sua essência.

Talvez estejamos vivendo hoje um processo evolutivo consciente, às portas de um salto inteligente para o espírito. Teillhard de Chardin, o teólogo herege que quase foi expulso da Igreja, percebeu que a vida é uma ascensão progressiva da consciência rumo a um Outro supra-humano, além e acima da percepção individualista e limitada do eu e da realidade que nos cerca. Este é o cerne da fundamentação metafísica da Transpessoal: a busca incessante de uma superação da consciência comum rumo a outros estados de percepção do real. Para isso é necessário um trabalho corajoso de desidentificação dos apegos, das crenças e dos padrões que nos limitam. Este é o princípio que define a sua psicoterapia, seu processo pedagógico, sua concepção de música, de arte, de criatividade. A busca da consciência transpessoal é algo equivalente a uma transmutação alquímica da alma.

Por isto, se algo deve estar presente em todos os tratados de Transpessoal, deve ser a espiritualidade. É esta a sua contribuição neste milênio. A Transpessoal vem acrescentar, a uma psicologia das profundezas, também uma psicologia das altitudes.
O estudo da supraconsciência hoje pode ser realizado em termos científicos, utilizando para isso o referencial da psicologia, da biologia e do sistema neurológico, entre outros. A espiritualidade não mais se encontra restrita a uma linguagem religiosa e dogmática. Mas, para isso, foi necessário o resgate de antigas tradições místicas e seu enlace transdisciplinar com a ciência, para que a consciência pudesse ser vista em suas múltiplas dimensões e potencialidades.

Voltando à pergunta inicial, por que o brilho e o sorriso nos olhos das pessoas quando ouvem falar da Transpessoal? Freud dizia que o riso era uma manifestação do inconsciente. Pego de surpresa, ele se entrega rindo. Talvez, no fundo, adoramos quando alguém nos lembra a magia e o encantamento do mundo. É isso o que faz a Transpessoal: ela nos convida a uma transmutação alquímica de nossas almas

A palavra transpessoal significa “além do pessoal”, e isso reflete bem o seu objetivo principal, que é explorar o crescimento humano e ajudar as pessoas a descobrirem a essência profunda que existe além das dimensões do ego.

Entenda Melhor o Que é a Psicologia Transpessoal

Os terapeutas transpessoais valorizam a totalidade, tendo em vista que a essência de cada indivíduo é uma combinação dos aspectos transpessoais, autotranscendentes e espirituais da experiência humana. Dentro dessa abordagem, todas as experiências vividas são consideradas valiosas, e cada um é tratado de acordo com seu esforço inato em direção a uma realidade mais elevada. Portanto, na psicologia transpessoal, a cura e o crescimento são abordados através do reconhecimento da centralidade do “eu”.

A metodologia usada para conduzir esse processo terapêutico é uma combinação de tradições espirituais de todo o mundo, com destaque para as orientais, que são integradas com elementos da psicologia contemporânea. Espera-se que os pacientes da psicologia transpessoal passem a se conhecerem melhor, adquiram consciência em relação às suas capacidades, e desenvolvam as habilidades necessárias para lidar com tudo isso em sua vida cotidiana.

Embora não seja uma metodologia frequentemente explorada dentro de abordagens mais tradicionais da psicologia, existe um interesse crescente em relação a ela. A meditação em atenção plena ou mindfulness, por exemplo, é um elemento da psicologia transpessoal que está se tornando cada vez mais popular em todo o mundo.

 

Como a Psicologia Transpessoal Funciona?

A psicologia transpessoal é um processo de autoconhecimento e auto realização, que tem como objetivo ajudar as pessoas a descobrirem o núcleo profundo de sua essência. Dentro dessa abordagem, as terapias funcionam construindo e expandindo as qualidades de um indivíduo, levando-o a aprender a utilizar os seus próprios recursos para solucionar conflitos internos e criar um senso de equilíbrio e harmonia em sua vida.

Embora não exista um consenso entre os especialistas a respeito de um modelo específico para esse processo terapêutico, existem três áreas-chave que ele abrange, que são: a psicologia que está além do ego, a psicologia transformadora e a psicologia integrativa, também conhecida como holística.

Nesse contexto, os terapeutas transpessoais podem se basear em diferentes tipos de técnicas, que serão apresentadas de uma maneira que os seus pacientes possam continuar a utilizá-las além da terapia. Para que realmente sejam positivas e eficazes, é importante que essas técnicas sejam adaptadas às necessidades específicas de cada indivíduo.

A ênfase no desenvolvimento individual na psicologia transpessoal é garantir o cultivo efetivo de formas intuitivas de conhecimento que complementam o ser psicológico e espiritual de uma pessoa. É assim que essa abordagem se torna capaz de apoiar e impulsionar o esforço inerente de uma pessoa pela sua liberdade, desenvolvimento e realização.

Alguns dos métodos mais usados ​​na psicologia transpessoal incluem: atividades de consciência corporal, escrita terapêutica, exercícios de respiração, musicoterapia, cura da criança interior, visualização guiada, meditação, ioga, hipnose, regressão, entre outros.

 Psicologia Transpessoal é a tendência mais moderna dentro da psicologia, coerente com os ideais holísticos que buscam, hoje, transcender as dualidades. Esta vertente nasceu na década de 60, no auge da contracultura e das experiências com estados alterados da consciência, desde os provocados pelo uso de substâncias alucinógenas até os que derivam de vivências místicas, próprias das tradições espirituais.

Esta corrente é definida por Abraham Maslow, um de seus fundadores, como a ‘quarta força’ da Psicologia, antecedida pelo behaviorismo de Pavlov, pela Psicanálise criada por Freud e pela linha humanista, baseada na Fenomenologia e no Existencialismo. A Psicologia Transpessoal tornou-se oficial em 1968, com a união de Vitor Frankl, Stanislav Grof, James Fadiman, Antony Sutich e Maslow.

A escola transpessoal não se contenta apenas com a dimensão do ego, explorada pelas outras vertentes, pois a considera muito limitada. Assim, seus adeptos procuram explorar outras esferas conscienciais, que transcendem o universo egóico. A psique humana é vista de uma forma mais ampla, além do indivíduo, quando as pesquisas se estendem às condições não comuns da consciência, ultrapassando o estado de vigília.

Algumas experiências, inclusive com elementos psicodélicos, revelaram a existência de percepções distintas das realizadas pela personalidade convencional do sujeito, bem como comportamentos aparentemente sintonizados com outras frequências vibratórias, cada uma delas se conectando a um tipo específico de procedimento humano. Alguns destes estudos, empreendidos ainda no final do século passado por psicólogos e psiquiatras de renome, portanto antes do nascimento da Psicologia Transpessoal, colocavam em dúvida o papel do acaso ou de condicionamentos culturais na formação da identidade, ou seja, na separação entre o ‘eu’ e o mundo. Estas pesquisas relacionavam a consciência a um padrão semelhante ao eletromagnético.

A Psicologia Transpessoal realiza uma combinação de princípios de várias correntes psicológicas, como a junguiana, as de Maslow, Viktor Frankl, Fritjof Capra, Ken Wilber e Stanislav Grof, com postulados da moderna Física Quântica, envolvendo também aspectos do budismo tibetano. Pode-se dizer, assim, que ela busca a verdade do ser, as realidades mais profundas da mente e do espírito. O movimento espírita, no Brasil, se sintonizou particularmente com esta vertente psicológica, por suas jornadas no campo espiritual, que muito têm contribuído para a compreensão dos fenômenos considerados mediúnicos.

Obedecendo às tendências holísticas atuais, a Psicologia Transpessoal vê o homem como um ser integral, não só corpo, mas também alma e espírito, com habilidades potenciais para ir além da matéria, para um universo que transcende o Espaço-tempo de Newton, baseando-se assim nos conceitos da Física Quântica e da teoria da relatividade. Esta junção interdisciplinar oferece uma base sólida para o desenvolvimento dos aspectos científicos da transpessoalidade. Estes princípios se unem à crença dos adeptos desta corrente no potencial humano de transmutar seus estados de consciência. Ela envolve também estudos da Biologia, da Lingüística, da Antropologia, da Sociologia e da Neurologia, entre outras disciplinas.


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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

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