Físico e astrônomo brasileiro ganha Nobel da espiritualidade

Marcelo Gleiser é o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio e recebeu 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões.

O físico e astrônomo Marcelo Gleiser, de 60 anos, foi escolhido como o vencedor do prêmio Templeton de 2019, considerado o “Nobel” da espiritualidade. Gleiser é o primeiro latino-americano a ser reconhecido com o valor de 1,1 milhão de libras esterlinas — a quantia foi entregue oficialmente em um cerimônia em Nova York, em maio deste ano.

Prêmio Templeton

O prêmio Templeton, criado em 1972, já foi concedido a personalidades como Madre Teresa de Calcutá, em 1973, e Dalai Lama, em 2012. Segundo a Fundação Templeton, o reconhecimento é pensado para profissionais que tenham feito “uma contribuição excepcional para afirmar a dimensão espiritual da vida, seja por insights, descoberta ou trabalhos práticos”.

O prêmio é nomeado devido a Sir John Templeton, um empresário radicado no Reino Unido e nascido nos Estados Unidos, que foi consagrado cavaleiro pela Rainha Elizabeth II em 1987 devido aos seus esforços filantrópicos. Até 2001, o nome do prêmio era Templeton Prize for Progress in Religion, e de 2002 a 2008 ele foi chamado de Templeton Prize for Progress Toward Research or Discoveries about Spiritual Realities. Um fato interessante é que o valor do prêmio é ajustado de maneira que exceda o montante dado pelo prêmio Nobel, uma vez que Templeton sentia que a “espiritualidade era ignorada” nos prêmios Nobel.

A origem do Universo

Marcelo Gleiser se formou em física pela PUC do Rio de Janeiro em 1981, e tornou-se doutor em física teórica em 1986. Há mais de 21 anos, é professor de física e astronomia no Dartmouth College, nos Estados Unidos. Gleiser, que é um dos autores convidados do Universo Transpessoal, explicou no Fantástico a criação do universo e do que o mundo é feito nas séries “Poeira das Estrelas” em 2006 e “Mundos Invisíveis” em 2008. Ao longo de sua jornada, tem 14 livros publicados, sendo O Caldeirão Azul o último lançado este ano. “No meu trabalho como cientista, minha pesquisa é muito mais ligada a questões fundamentais sobre a origem do universo, da vida, do que sobre como criar um microchip melhor para fazer um iPhone funcionar mais rápido, por exemplo. Minhas questões são mais existenciais”.

A premiação, porém, já foi muito criticada por cientistas pela aproximação com temas religiosos. Em resposta, o físico disse à agência AFP que “O ateísmo é inconsistente com o método científico”. Gleiser também critica a postura de cientistas frente à teoria religiosa de criação da Terra em sete dias. “Eles consideram a ciência como o inimigo, porque têm um modo muito antiquado de pensar sobre ciência e religião, no qual todos os cientistas tentam matar Deus”, afirma. “A ciência não mata Deus.”

Como um físico e astrônomo pode contribuir com a espiritualidade?

Enquanto na esfera acadêmica Gleiser se aprofunda em números, gráficos e tabelas em busca de pistas que ajudem a desvendar a formação do universo, na atuação pública ele expande a interpretação das tais evidências em busca da resposta à grande questão da humanidade: Afinal, quem somos?

“Mantenho a mente aberta para surpresas. Depende do que você chama de Deus. Tem gente que diz que é a natureza. Então, se Deus é a natureza, eu sou uma pessoa religiosa”, afirmou durante o evento.

Na cerimônia de premiação, Gleiser disse que “precisamos ir além das divisões que têm sido problema real no mundo moderno”, que “precisamos nos unir”, e que quer “dedicar os próximos anos e a honra do prêmio para criar o censo moral de que estamos juntos, que temos que salvar o planeta, a vida, e tudo o que temos.”

“A ciência é o caminho para entendermos o mistério da existência humana”, disse Marcelo Gleiser. “É mais ou menos o que o paleontólogo faz: a partir de ossos de dinossauro, reconstrói o passado. Buscamos pistas no universo para reconstruir a história desde o Big Bang até hoje”, explica.

Para ele, ciência e espiritualidade são dois lados de uma moeda só. “A ciência é a nossa metodologia mais poderosa para compreender o mundo natural. Mas, por outro lado, a ciência tem limite e oferece só um tipo de explicação”, diz.

“A gente sabe que só vê parte da realidade. Essa conexão com o mistério que nos cerca, para mim, é profundamente espiritual“. Na cerimônia em que recebeu o prêmio, Gleiser disse, em inglês, que às vezes não podemos explicar as coisas, apenas sentir; que precisamos estar abertos para aprender com quem pensa diferente de nós; e que temos que nos unir para deixarmos um mundo melhor para as futuras gerações.

Fonte: Templeton.org, g1 e Revista Galileu

Tags: | | | | |

INSIGHTS DO UNIVERSO

RECEBA GRATUITAMENTE CONTEÚDOS EXCLUSIVOS

Seu e-mail está 100% seguro!

Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

0 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *