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Espiritualidade

Efeitos da espiritualidade na prevenção de doenças

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Oi pessoal! Esta semana falamos sobre a diretriz inédita da Sociedade Brasileira de Cardiologia que diz que a espiritualidade deve ser abordada pelos médicos e pacientes nas consultas. Um passo importante da medicina rumo à visão integral da saúde e do ser humano foi dado nos últimos dias! Maravilhosa notícia, não é mesmo?

Ciência e espiritualidade cada vez mais caminham juntas e a visão de mundo científica da medicina é fundamental tanto para entender quanto validar o que vivenciamos nas nossas jornadas de autoconhecimento! Por isso, hoje trago para vocês os dados da medicina sobre os benefícios da espiritualidade na saúde e prevenção de doenças. Será que você já sentiu tudo isso na pele?

Confira abaixo o que está no texto da atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2019 sobre os efeitos do perdão, da gratidão, da depressão e resiliência, do relaxamento e da meditação no nosso corpo! Temas que sempre aparecem aqui no Universo Transpessoal e sobre os quais temos muuuito a conversar pela frente! 🙂

Perdão

Avaliado por várias escalas como tendência e atitude, o perdão determina efeitos múltiplos, gerando estados mais favoráveis a homeostase nos aspectos emocionais, cognitivos, fisiológicos, psicológicos e espirituais. O perdão amplia as possibilidades de comportamento, construindo melhores estratégias adaptativas e contrapondo-se aos sentimentos de ansiedade, raiva e hostilidade que são potentes fatores de risco cardiovascular. Também reduz o estresse, a drogadição e a ruminação; melhora o suporte social, as relações interpessoais e os autocuidados de saúde.

Um estudo analisou o efeito do perdão sobre a isquemia miocárdica, isquemia esta gerada pelo estresse e aferida por técnicas de cintilografia, sendo os pacientes randomizados para receber ou não uma série de sessões de psicoterapia para desenvolvimento do perdão interpessoal. Após 10 semanas de acompanhamento, a intervenção de perdão foi capaz de reduzir a carga de isquemia miocárdica induzida pela raiva em pacientes com doença arterial coronariana.

Gratidão

Na prática clínica, a gratidão pode ser avaliada por questionários específicos como o Gratitude Questionnaire–6 (GQ-6), permitindo a análise das interações comportamentais e desfechos fisiológicos, fisiopatológicos e clínicos. Indivíduos com maior gratidão apresentam melhor perfil de saúde cardiovascular, à semelhança daqueles com maiores índices de espiritualidade e religiosidade. Em pacientes portadores de insuficiência cardíaca assintomáticos e avaliados por questionários de gratidão, depressão, sono, gratidão e bem-estar espiritual, estes dois últimos correlacionaram-se a melhor perfil inflamatório e associados a melhor humor e qualidade de sono, menos fadiga e maior auto-eficácia. Estratégias psicológicas que possam aumentar sentimentos de gratidão tais como o registro regular (journaling), pensamentos, meditação, correspondências de fatos ou pessoas pelos quais se é grato tem sido estudadas, demonstrando aumento do sentimento de gratidão e redução de marcadores inflamatórios.

Depressão e Resiliência

A depressão é significativamente mais comum em pacientes com doença cardiovascular do que na comunidade em geral. Essa maior prevalência é frequentemente secundária à doença como um transtorno de adaptação, com sintomas desaparecendo espontaneamente na maioria dos pacientes. Porém, aproximadamente 15% deles desenvolvem um transtorno depressivo maior, que é marcador de risco independente de aumento da morbidade e mortalidade.

Em estudo transversal incluindo 133 pacientes com diagnóstico de cardiopatia isquêmica avaliados pela Escala de Resiliência de Wagnild & Young, 81% foram classificados como resilientes sugerindo que as doenças possam agir como um facilitador para a presença desse sentimento. A resiliência é um comportamento que melhora sobremaneira a adesão ao tratamento assim como a qualidade de vida e pode ser adquirida em qualquer fase da vida, independente da idade e do estado da doença. Espiritualidade e religiosidade estão associadas a maiores níveis de resiliência. Em outra série, pacientes idosos (≥ 65 anos) foram significativamente mais resilientes do que os mais jovens. A resiliência correlacionou-se negativamente com a depressão e inversamente com os sintomas afetivos, cognitivos e somáticos da depressão e foi responsável por maior variação nas características afetivas da depressão do que nas características somáticas.

Em avaliação a longo prazo, os pacientes foram analisados quanto a presença de suporte social funcional, IMC, história recente de depressão maior, presença de doença coronariana, hipertensão arterial e diabetes. Após 13 anos, observou-se que o suporte social foi responsável por reduzir a relação entre depressão e a ocorrência de coronariopatia. Especificamente, a depressão foi associada prospectivamente com doença coronariana entre os indivíduos com baixo suporte social, mas não naqueles com alto suporte, sugerindo que o suporte social pode funcionar como um fator de resiliência contra o risco cardiovascular associado à depressão.

O estudo Palliative Care in Heart Failure foi o primeiro ensaio controlado e aleatorizado envolvendo cuidados paliativos a demonstrar o benefício clínico significativo da incorporação de intervenções interdisciplinares no manejo de pacientes com insuficiência cardíaca avançada. A adição dos cuidados paliativos melhorou a condição física, psicossocial (ansiedade/depressão) e qualidade de vida espiritual.

Relaxamento e meditação

Relaxamento e meditação são práticas bem estabelecidas de abordagem do binômio mente/corpo para melhorar o estresse e seu benefício tem sido demonstrado em várias populações, incluindo cardiopatas. De fácil aprendizado e prática, são técnicas de baixo custo e amplo acesso. Em estudo observacional em portadores de coronariopatia, analisou-se a estratégia de reabilitação cardíaca associada a um programa de 13 semanas utilizando técnicas de autorrelaxamento, de bem-estar espiritual e controle de estresse psicológico. Houve aumentos significativos no tempo de prática de relaxamento e nos escores de bem estar espiritual, além de melhora nos índices de depressão, ansiedade, hostilidade e gravidade global. Maiores aumentos no tempo de prática de relaxamento foram associados a bem estar e maior bem-estar espiritual foi associado a melhoria nos resultados psicológicos.

Pacientes portadores coronariopatia foram incluídos em programa de meditação transcendental ou educação em saúde com acompanhamento médio de 5,4 anos. A meditação transcendental reduziu significativamente o risco de mortalidade, infarto do miocárdio e AVC, sendo essas alterações associadas a menores níveis de pressão arterial e a fatores de estresse psicossocial. Adicionalmente, estudo nacional aleatorizou pacientes com insuficiência cardíaca crônica para fazerem meditação ou não, demonstrando redução da noradrenalina sérica e do VE/VCO2 slope no teste cardiopulmonar e melhora da qualidade de vida avaliada pelo questionário Minnesota Living with Heart Failure.

Em recente documento da American Heart Association são revistas várias formas de meditação e destacados os efeitos prolongados observados sobre a fisiologia e a anatomia cerebral, possivelmente responsáveis por melhor estado fisiológico sistêmico e redução do risco cardiovascular. Com a meditação, constata-se melhor resposta fisiológica ao estresse, cessação do tabagismo, redução da pressão arterial, resistência à insulina e SM, função endotelial, isquemia miocárdica indutível e prevenção primária e secundária de doença cardiovascular. Apesar de alguns dados quanto a redução do risco cardiovascular serem limitados, a meditação pode ser considerada como um complemento à redução desse risco e modificação do estilo de vida. Em um estudo robusto envolvendo 1.120 meditadores, outros domínios complexos foram identificados e podem ser cruciais para o desenvolvimento psicológico e espiritual das pessoas ao atuarem como mediadores e/ou mecanismos responsáveis pelos efeitos da meditação. De difícil mensuração, aspectos relacionais e transpessoais, místicos, fenômenos anômalos ou extraordinários ligados a meditação merecem estudos aprofundados. Permanece em aberto a dimensão dos efeitos possíveis a serem obtidos com cada forma de meditação. Foi demonstrado que a meditação transcendental reduz a ansiedade, melhora o humor e foi capaz de dobrar o tempo de tolerância a dor aguda, quando comparada a formas seculares de meditação.

Quanta informação importante, concorda? É maravilhoso poder acompanhar nosso autoconhecimento enquanto humanidade na esfera científica! Espero que essas informações te incentivem a praticar cada vez mais o perdão, a gratidão, ou meditação. Lembrando que perdoar e agradecer tem muito a ver com o poder que você tem de escolher os pensamentos que cultiva, e isso acontece o tempo todo. Bora treinar?

Te agradeço por ler até aqui e parabéns por dedicar esse tempo de leitura à pessoa mais importante desse mundo: você! Espero que te ajude como tem me ajudado e fique a vontade para comentar aqui embaixo! Se você acredita que este artigo pode interessar a mais pessoas, compartilhe nas suas redes!

Fonte: SBC
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