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Psicologia Transpessoal

Eneagrama: os 9 tipos de personalidade

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É um privilégio acessar a sabedoria milenar do Eneagrama e fascinante pensar que esta forma de autoconhecimento existe há pelo menos 2500 anos. Eneida Ludgero, mestre psicóloga, especialista em Eneagrama e tradutora dos livros de Claudio Naranjo no Brasil, foi quem me conduziu junto à turma de Especialização em Psicologia Transpessoal, de forma profunda e suave por entre os nove tipos do Eneagrama (também conhecidos por eneatipos), para que pudéssemos entrar em contato com as nossas próprias armadilhas a fim de conhecer a cela das nossas prisões interiores para ir além, em direção à integralidade de nosso ser.

O Eneagrama é um mapa que mostra caminhos possíveis da evolução da nossa consciência, apresentando a possível integração ou desintegração do ser, de acordo com nove padrões existentes, correspondentes aos sete pecados capitais (ira, orgulho, inveja, avareza, gula, luxúria, preguiça) acrescentados da vaidade e covardia.

Durante toda a formação em Psicologia Transpessoal, a espontaneidade me chamou a atenção como um estado de equilíbrio do ser humano, o estado sem amarras no qual podemos ser aquilo que somos.  Eneida também toca neste ponto quando fala que ser espontâneo é estar conectado com os nossos três centros (emocional, mental e motor/instintivo). E o Eneagrama descreve, segundo os nove padrões, como a desconexão com as virtudes humanas (centro emocional) gera paixões ou desvios de percepção, como a desconexão com as ideias superiores (centro mental) leva a fixações mentais e como a desconexão com o instinto puro (centro instintivo) leva à construção de estratégias instintivas de sobrevivência: auto-preservação, social e sexual – os subtipos.

Segundo o Eneagrama, cada um de nós trafega pelos traços de cada um dos nove tipos de acordo com a situação, mas cada um de nós desenvolveu apenas um tipo, que não muda, porém há dentro dele uma evolução a percorrer, em seus diferentes níveis de consciência.

Mais do que se identificar com um dos eneatipos, acredito que o grande salto quântico se dá ao descobrir as fixações, ou seja, as estratégias mentais desenvolvidas inconscientemente para justificar e perpetuar o comportamento automático e repetitivo, as cristalizações das paixões que afetam a inteligência cognitiva na tentativa de transformar determinados comportamentos em ideais nobres, que nos impedem de evoluir.

Entre os nove, me chama atenção também a dor ou machucadura que cada tipo carrega, dando origem a apresentação de determinados traços, como por exemplo, o tipo 3: “o mundo não gosta do que sou, mas do que eu faço”. Muitas vezes, a criança que não era vista, recebeu reforço e elogio apenas quando realizava coisas e assim assumiu o “eficiente que faz acontecer”. Ou então o tipo 7, cuja fala da Eneida me marcou “o mundo tem limites, a minha cabeça não tem limites” e a partir desta percepção o tipo 7 desenvolve sua imaginação.

O conhecimento e insights que o Eneagrama proporciona são muito úteis quando temos coragem de olhar para si mesmos com sinceridade, e a transformação acontece a partir da percepção e aceitação destes traços em nós. Ao visitar cada um dos nove tipos, pude trazer comigo mais informação sobre mim mesma e uma compreensão mais ampla do ser humano. Pude me reconhecer de alguma forma em cada tipo e entrar em contato com as respectivas dores e armadilhas, entendendo melhor a origem e de que forma determinados traços de comportamento tendem a se manifestar.

O exercício de associação livre aplicado pela Eneida Ludgero também foi muito valioso na ampliação desta autodescoberta. Ao estarmos frente a outro indivíduo, dando voz aos pensamentos que vem à nossa mente sem parar, observando aqueles quais censuramos, ou pela primeira vez verbalizando pensamentos costumeiramente censurados, possibilitou a tomada de consciência da construção do pensamento e sua relação à fala e comunicação. Consequentemente, entramos em contato com a nossa tendência à repressão e à não espontaneidade, que acontece a todo momento. Este exercício para mim foi fundamental, bem como o exercício de verbalizar os medos, para entender melhor também o Eneagrama, ao perceber quão complexo e ao mesmo tempo simples são nossos entraves.

Além de proporcionar um caminho de reconexão com os nossos centros e servir de uma sábia orientação para seguir a trilha rumo à integração do ser, acredito que a visão que o Eneagrama traz é também um diferencial ao terapeuta, sendo mais uma ferramenta e uma “nova” maneira de olhar o ser humano.

Se você gostou e quer saber mais sobre Eneagrama, considere ler o livro A Sabedoria do Eneagrama: Guia Completo Para O Crescimento Psicológico E Espiritual Dos Nove Tipos De Personalidade de Russ Riso e Don Richar Hudson.