16 maneiras pelas quais o Coronavírus pode mudar nossa visão de mundo

O coronavírus está impactando o mundo e nos convidando a refletir sobre vários aspectos da vida e da existência. Há quem diga que não voltaremos mais “à normalidade” e que teremos que nos adaptar ao novo “normal”. Uma porque cada vez mais pessoas perceberam que a “normose” com qual grande parte da humanidade vivia não era saudável e outra porque estamos vivenciando um período de expansão coletiva da consciência. E como disse Albert Einstein, “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

Pensando nisso, reunimos 16 mudanças positivas na consciência coletiva que essa período de emergência pode provocar, de acordo com Carin Ism, cofundadora da Future of Governance Agency, e Julien Leyre, escritor, educador e inovador em governança franco-australiano:

1. Autossuficiência – De dietas baseadas em plantas a impressoras 3D de mesa, a situação atual fará com que muitos vejam os benefícios de poder contar com alimentos e bens de origem local – em vez de produtos que exigem cadeias de suprimentos extensas. A produção local tem sido defendida por muitos da perspectiva da sustentabilidade, mas esse tipo de autossuficiência, em última análise, é uma questão de poder – de como a independência nos coloca em uma posição em que, ao invés de apenas cruzarmos os dedos e torcermos para que líderes governamentais façam um bom trabalho de nos proteger, nós possamos preservar certa influência sobre nosso próprio destino e das pessoas que amamos.

2. Painéis solares – Até o momento, nenhuma região ficou sem eletricidade devido às consequências sistêmicas dessa pandemia. Contudo, é possível de acontecer em alguns lugares. O grande benefício dos sistemas descentralizados, em termos bem simples, é o fato de não terem pontos centrais de falha. Os painéis solares têm sido retratados como uma maneira de fazer a coisa certa pelo planeta. Os novos tempos da Covid revelarão o quanto eles também podem ser uma questão de instrumentalização pessoal.

3. A tecnologia dos drones – Os drones de entrega e os robôs desinfetantes não são mais que o começo de uma extraordinária transformação. Já existem exemplos de ONGs que utilizam drones para transportar medicamentos para locais remotos com precisão impressionante. E, agora que a capacidade de transportar e entregar mercadorias sem contato humano tornou-se uma proposta de valor mais atraente do que nunca, a adoção generalizada da tecnologia dos drones poderá ser alavancada.

4. Renda básica universal (RBU) – Martin Luther King, Bertrand Russell, Milton Friedman e muitos outros concordavam que uma sociedade civilizada deve garantir que seus cidadãos tenham dinheiro suficiente para suas necessidades básicas e que ninguém deve viver em estado de desespero.Durante o confinamento atual, muitos empregos desaparecerão da noite para o dia, como já vem acontecendo. As perdas nos mercados de ações refletem a preocupação com as possíveis dimensões da retração no consumo. Em vista disso, Hong Kong já aprovou uma espécie de RBU emergencial que dá a cada cidadão 10.000 dólares de Hong Kong (cerca de US$ 1.290). As lições desses experimentos e de outros já em andamento aumentarão consideravelmente nosso conhecimento econômico e social.

5. Nunca confiarmos cegamente em um líder – Os cidadãos do mundo hoje estão assistindo como os líderes de todo o globo estão lidando com a mesmíssima doença. Depois que a poeira baixar e os números forem estudados, veremos o que funcionou e o que não funcionou. Mas, mais que isso, teremos um exemplo excepcional de quão arbitrárias podem ser as escolhas que os líderes fazem. Pessoas já morreram porque este ou aquele líder adotou a abordagem errada na hora errada. Isso não significa que os cidadãos não confiam mais em ninguém; significa, sim, que devemos exigir mais de um mandato político já que conferimos autoridade aos líderes também em questões no âmbito da ciência.

6. Aprender e amar fazer o mínimo – Do que de fato nós precisamos? “How to do nothing: resisting the attention economy” [Como não fazer nada: resistindo à economia da atenção] (2019), de Jenny Odell, provocou muita discussão no ano passado. O livro questiona quantas das atividades que realizamos todos os dias efetivamente nos beneficiam. Fazer menos tem suas vantagens para o clima e para o meio ambiente como um todo, e também para nossos níveis de estresse e paz de espírito.

A Covid-19, ao menos por um tempo, provocará uma redução da produtividade. Com isso, teremos uma nova linha de base com a qual comparar nossa vida “normal”. Ao nos vermos forçados a parar por um tempo, do que será que efetivamente sentiremos falta? E do que não teremos saudade? Apertar o pause nos dará a oportunidade de fazer um balanço geral do que de fato merece atenção entre todas as coisas que empreendemos.

7. Adoção mais generalizada de protocolos descentralizados na internet – Uma quarentena pode ser a realização dos sonhos dos introvertidos – até que a internet pare de funcionar. Felizmente, é improvável que isso aconteça. Entretanto, se estivéssemos executando protocolos descentralizados, teríamos certeza de que a internet não pararia. A internet foi construída para ser resiliente em tempos de crise. Com o tempo, porém, um pequeno número de empresas foi assumindo controle de um grande número dos servidores que direcionam o tráfego. Isso contraria e prejudica o grande trunfo do desenho da internet, a descentralização.

8. Um mundo “pós-verdade” – Num piscar de olhos, a precisão tornou-se fundamental. Quando nos deparamos com uma variedade de cenários possíveis, desde os mais brandos ao francamente catastrófico, todos nós, coletivamente, sentimos a mesma coisa: queremos conhecer os fatos. Até que ponto devemos temer um espirro? Um aperto de mão? Será que tudo está sob controle ou deveríamos estocar comida e água em casa? Queremos saber. Precisamos saber. Não adivinhar, não conjecturar, não ter um palpite – saber. E mesmo que a ciência tivesse sendo cada vez mais questionada e colocada em xeque nos últimos anos, não vemos hoje muitas pessoas rejeitando a ideia de uma vacina.

9. A hora e a vez da telepresença – Felizmente, o distanciamento social está acontecendo em uma época em que já estamos acostumados a socializar distantes uns dos outros. Todas aquelas reuniões para resolver coisas que poderiam muito bem ser resolvidas por e-mail se transformaram finalmente em e-mails. Para todas as outras, temos hoje telepresença, videoconferência e até avatares digitais e palcos virtuais.

Quanto mais tempo durar a quarentena, mais as tecnologias que nos aproximam em alta definição dos colegas e pessoas que amamos serão vistas como a melhor invenção desde a lâmpada elétrica. O fato de cada vez mais existirem versões digitais de congressos, conferências e espetáculos é uma ótima notícia para um mundo muito mais dependente de viagens aéreas do que as taxas de carbono deveriam permitir. No que diz respeito à aviação, graças à disseminação de serviços de telepresença, o que é hoje um estado de emergência poderá vir a ser uma espécie de nova normalidade após o vírus.

10. Pico de bebês pós-corona – Apagões e grandes nevascas resultam na irrupção de bebês nove meses depois: isso pode ser facilmente observado. Será por que, quando se está preso em casa, o sexo é a melhor opção? Ou será por que, em tempos de desespero, a ideia de trazer uma nova vida ao mundo nos ajuda a enfrentar a sensação de destruição iminente? Seja o que for, é inquestionável que quarentenas instigam certos prazeres sensuais.

11. Remunerar os verdadeiros heróis com mais do que apenas aplausos – Estamos sentindo na pele o verdadeiro valor dos trabalhos que mantêm a sociedade – e nossa sanidade. Pessoas que tiveram de passar a educar seus filhos em casa têm expressado uma nova apreciação pelo dia a dia dos professores. Coletores de lixo e entregadores estão recebendo agradecimentos adequados por serviços que quase nunca eram reconhecidos. E os prestadores de serviços de saúde que arriscam a própria saúde em prol dos outros estão agora recebendo certa dose de gratidão. Estamos aprendendo o que é essencial. E em vez de remunerarmos os heróis desta crise apenas com aplausos, será que desta vez nossa apreciação repentina não poderia assumir uma forma monetária e traduzir-se em melhores salários para as profissões mais cruciais?

12. Todos os grandes livros, filmes, piadas e memes que surgirão – E assim, inesperadamente, você teve tempo para terminar seu romance. O mesmo vale para uma infinidade de artistas, todos eles hoje em confinamento, muitos dos quais estão possivelmente criando suas obras mais inspiradas. Para as especulações existenciais de cineastas sérios ao hedonismo escapista e aos memes mais geniais, uma pandemia, a despeito (ou por causa) de sua brutalidade, pode ser uma musa e tanto.

13. Protocolos de emergência aprimorados – Por pior que seja a Covid-19, sabemos que existem cenários muito piores e que podemos fazer muito mais para melhorar nossa vida e reduzir as ameaças. Poderíamos aproveitar nossa situação atual para nos tornar mais sábios e mais resilientes em face de problemas muito mais vastos. Propostas como as de Denkenberger – por exemplo, criar fazendas e armazéns subterrâneos de cogumelos, ou mesmo alimentos à base de bactérias que sobrevivam a um possível inverno nuclear ou supererupção vulcânica – não parecem mais tão excêntricas quanto antes. Pelo contrário, parecem sábias e ponderadas, à medida que a expressão “esperar pelo melhor, planejar para o pior” começa a ressoar com mais força em toda parte.

14. Longevidade reimaginada – A situação e sofrimento dos idosos raramente são mencionados em épocas normais. Antes da atual pandemia, 100 mil pessoas morriam de doenças provocadas diretamente pelo envelhecimento do corpo – todos os dias. Como a Covid-19 está castigando desproporcionalmente a parte mais idosa da população e os médicos estão precisando tomar decisões de vida ou morte com base na idade dos pacientes, esse problema certamente será levado em conta com mais seriedade. A solidariedade entre gerações poderá se tornar mais importante se todos nós tivermos consciência plena de que um corpo saudável é sempre temporário.

15. Um melhor entendimento do que a crença coletiva é capaz – Especialmente no que diz respeito ao endividamento. O Federal Reserve está oferecendo US$ 1,5 trilhão em empréstimos de curto prazo (e muito mais está a caminho) para estabilizar os mercados abalados pela Covid-19. Em um mundo onde as moedas fiduciárias são lastreadas apenas pela crença das pessoas, muito pode ser feito se houver apoio suficiente. Em termos de comparação, o valor total dos empréstimos para estudantes universitários nos Estados Unidos chega a US$ 1,6 trilhão.

16. Um inimigo em comum – Nos anos 1990, alguns pensadores que refletiam sobre a globalização argumentaram que nossa aldeia global compartilhada estava se transformando em um “McMundo” que tinha uma cultura de consumo como denominador comum. Por outro lado, é indiscutível que todos os seres humanos têm algo muito mais saudável em comum: todos nós queremos um futuro seguro. Na Covid-19, encontramos um inimigo comum a todos, que ataca pessoas independentemente de sua aparência ou passaporte.

A situação que estamos vivenciando nos leva a um momento de decisão e nos oferece uma escolha: podemos tentar reconstituir o mundo tal como era antes da pandemia ou aproveitamos esse acontecimento como a semente de um novo mundo mais unificado, onde além das crenças, territórios e culturas, reconhecemos nas nossas diferenças as nossas próprias semelhanças. Um novo mundo consciente de nossos corpos vulneráveis e interdependentes uns dos outros e do nosso próprio ecossistema.

Separados, porém conectados

Embora estamos cada vez mais conscientes de nossa interconectividade global, nunca sentimos tanto isso na pele quanto agora. Atualmente, testemunhamos a falta de coordenação global para controlar a propagação do coronavírus desde o início, o que talvez nos mostre um mundo que ainda não se reconhece interconectado. Porém, isso pode estar mudando. Um vírus pode se disseminar rapidamente e nos transformar profundamente, assim como uma única ideia. Seja como for, isolados ou confinados em nossas casas, nunca estivemos tão juntos e conectados para unir nossas forças e juntos, escolhermos co-criar uma nova realidade.

Referências: Singularity Hub

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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

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