Constelação Sistêmica Familiar: um resgate dos ritos ancestrais

Apesar da Constelação Familiar ser conhecida como uma nova prática de cura das relações descoberta pelo alemão Bert Hellinger, sua essência está presente na dinâmica de rituais de cura muito antigos, encontrados em diferentes tradições indígenas.

Um exemplo são os ritos sagrados com a terra. Entre os Mapuches, a Machi é a mulher que tem a função de autoridade religiosa, é a conselheira, curandeira e protetora. Ela leva seu povo a ouvir o que a terra tem para falar sobre as suas raízes. Para eles, uma árvore só pode crescer saudável e expandir na direção do céu se estiver com as raízes fortes e firmes na terra.

De acordo com essa visão, é por isso que quando, por exemplo, uma pessoa fica sem suas raízes culturais, ficaria sujeita a qualquer tipo de doença, inclusive a doença mental. Ou seja, para restabelecer a saúde, resgatar a força de uma pessoa ou de um povo, na visão dos Mapuches, é preciso honrar e reconhecer suas raízes ancestrais.

Constelação Familiar Sistêmica: um resgate dos ritos ancestrais

Assim como acontece na Constelação Sistêmica Familiar, ritos ancestrais de diferentes tradições indígenas consistem em olhar para sua história, reverenciar sua origem, e sanar feridas a partir das raízes. A sabedoria ancestral há muito tempo já traz o olhar sistêmico, o conhecimento das dinâmicas transgeracionais e inclui as conhecidas Ordens do Amor. De acordo com Bert Hellinger, as 3 leis que atuam nas relações são:

  • a hierarquia, estabelecida pela ordem de chegada ou nascimento;
  • o pertencimento, estabelecido pelo vínculo a um núcleo, tribo, terra ou família;
  • o equilíbrio entre o dar e tomar nas relações, que se relaciona ao senso de comunidade das tradições indígenas.

Aceitação e reverência às nossas raízes

Nem sempre temos acesso ao que aconteceu aos que vieram antes de nós. Muitas vezes, é desafiador aceitar algumas verdades sobre o nosso sistema familiar, e ainda honrar, reverenciar e ser grato à nossa origem e raízes. O mais comum é encontrar motivos para queixas, especialmente quando houve tantas cargas e destinos pesados antes de nós. Porém, podemos ir treinando aos poucos o ato de agradecer por pequenas coisas, até que um dia agradecemos por tudo, a vida tal como ela é, a nossa história tal como ela é e respeitar tudo o que veio antes do momento presente.

Uma das formas de conhecer a sua história é perguntar mais aos seus pais ou avós como era a vida deles no passado, como era quando eram crianças. Se por alguma razão você não tiver acesso a eles, sugiro fazer um gesto simples: cultive o pensamento de que se você está aqui hoje é porque pessoas lá atrás foram passando a vida adiante. Eu honro e agradeço cada um que veio antes de mim e reverencio a vida.

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Quando a gente agradece do fundo da alma, sem julgamento e com o sentimento de profundo respeito e reverência, a vida se torna mais leve. Quem sabe lá atrás, em alguma geração, você e eu fazemos parte da mesma árvore genealógica? Independente disto, honro e agradeço a sua existência e de todos os seus antepassados. Muito obrigada por ler o texto até aqui.

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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.