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Psicologia Transpessoal

Como a Psicologia Transpessoal se aplica na saúde?

saude cura

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (1998), “o bem estar espiritual é uma dimensão do estado de saúde, junto às dimensões corporais, psíquicas e sociais. Além do bem estar espiritual, dos processos de morte, nascimento, gestação e processos de autocura, a Psicologia Transpessoal se aplica ao promover a expressão saudável do indivíduo.

De acordo com Maslow, “nós não adoecemos só por conflitos, nós adoecemos também por reprimir o amor, reprimir a nossa manifestação, a nossa expressão saudável”.  Neste sentido, o encontro que tive com José Carlos B. Peixoto, médico especialista em homeopatia e clínico geral, ativista em temas de saúde e alimentação e criador do site Uma Outra Visão, foi uma profunda desconstrução daquilo que convencionalmente entendemos por saúde, doença e medicina.

Considerando que a ciência seria a arte de transformar dúvidas em verdades, mas também verdades em dúvidas, você já parou pra pensar que a saúde hoje pode estar envolvida em dogmas que carecem de questionamentos da sociedade, inclusive por grande parte dos profissionais de saúde, que acabam repetindo e seguindo doutrinas estabelecidas, as quais nem sempre apresentam fundamento, ou então que se justificam por uma visão antropocêntrica?

José Carlos Peixoto me lembrou da importância de ampliar o olhar, trazendo questionamentos acerca da complexidade e simplicidade que envolvem os conceitos de saúde e a fisiologia humana, incluindo reflexões sobre a determinação da indústria farmacêutica neste processo, especialmente em relação aos psicotrópicos e aos diagnósticos, bem como a relação de co-dependência entre a indústria e médicos psiquiatras.

Se pensamos no conceito de doença como o distanciamento da fisiologia natural do ser humano, algumas atitudes e prescrições da medicina poderiam estar hoje caminhando para tornar o paciente doente enquanto crê estar reabilitando a sua condição de saúde. Trazendo sua experiência clínica, foi possível refletir acerca da subjetividade dos procedimentos de diagnósticos psiquiátricos convencionais.

Entre alguns pontos que chamaram a atenção durante o encontro, José Carlos Peixoto esclareceu a diferença do conceito entre delírio, em que se cria realidade distinta (sendo um processo interno) em contrapartida à alucinação, a qual se relaciona a uma percepção extra-sensorial (externo), bem como questionou a complexidade de tal diagnóstico, tendo como referência as experiências anômalas, por exemplo. Além disso, elucidou aspectos importantes da psicofisiologia da hiperventilação que pode ser experimentada na prática da respiração holotrópica, bem como ressaltou a importância da respiração consciente, tendo em vista a relação entre o padrão respiratório e o emocional, o qual é possível modificar voluntariamente. Ou seja, da mesma forma que os padrões emocionais alteram o padrão respiratório, podemos fazer o caminho contrário e alterar o padrão respiratório voluntariamente, para desta forma alterar o padrão emocional.

No aspecto da farmacologia da consciência, questionou-se as convenções do que são drogas ou não drogas e provocou-se uma reflexão sobre quais seriam os objetivos ou a função dos Estados Alterados de Consciência no ser humano. Na Expansão de Consciência, a mente transcende os limites do espaço, do tempo e da causalidade linear, o que pode ser útil como distração e fonte de prazer, mas especialmente como um potencial de cura de si mesmo, uma forma de ampliar o olhar de sua própria existência, sair do papel de vítima para o de co-criador, despertar para realidades mais amplas, acessar a sabedoria, o Amor, o Sagrado, e superar o medo da morte, facilitando um viver mais pleno, saudável e feliz.

A cada noite bem dormida, por exemplo, abastecemos nossa consciência cotidiana de uma nova e mais elevada compreensão da vida. A comunicação consciente com o inconsciente permite o acesso aos nossos potenciais de cura, conhecimentos, habilidades, dons e sabedoria.

Independente dos avanços da medicina, da psiquiatria ou da psicologia, percebemos que a habilitação da saúde física e psíquica parecer estar intrínseca à disposição do paciente de fazer transições, como disse Sêneca, “é parte da cura o desejo de ser curado”.