Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, morre aos 93 anos

O criador da Constelação Familiar, o psicólogo alemão Bert Hellinger, morreu aos 93 anos, nesta quinta-feira, dia 19 de setembro.

Bert Hellinger disse em seu livro “No waves without the ocean”:

“Eu não sei como este trabalho irá se desenvolver no futuro.
Eu sou carregado por um rio e desconheço o seu destino.
Também não quero sabê-lo.
Não consigo manter uma visão global acerca de tudo isso.
Há novos desenvolvimentos acontecendo o tempo todo.
Estou maravilhado com tudo isto e a que isto pode levar.
Não consigo mais segurá-lo, nem posso controlá-lo, nem mesmo adivinhar para onde está indo.
Eu fiz a minha parte.
O resto será feito por muitos outros. Este se aprofunda e se expande, tal como acontece quando uma pedra cai na água e lança anéis que reverberam tornando-se maiores. A pedra não pode ajudar nisto.
Eu vejo esse trabalho da mesma maneira.”

O criador da Constelação Familiar, Anton “Suitbert” Hellinger, conhecido como Bert Hellinger, nasceu em Leimen, Baden, Alemanha, em uma família católica. Aos 10 anos, foi seminarista em uma ordem Católica. Apesar disso, aos 17 anos se alistou no exército e combateu com os nazistas no front, sendo preso na Bélgica. Aos 20 anos, com o fim da guerra, se tornou padre. Formou-se no curso de Teologia e Filosofia na Universidade de Würzburgo, em 1951. Foi enviado como missionário católico para a África do Sul, onde ao longo de 16 anos serviu como pároco, professor e, finalmente, como diretor de uma grande escola. Bert também era responsável por todo o distrito diocesano, que continha 150 escolas. Ele se tornou fluente na língua zulu, participou de rituais zulu e ganhou uma apreciação pela visão de mundo zulu. Em 1954, obteve o título de Bacharel de Artes da Universidade da África do Sul e, um ano depois, graduou-se em Educação Universitária.

Sua participação em uma série de treinamentos inter-raciais e ecumênicos em dinâmica de grupo liderada pelo clero anglicano na África do Sul no início dos anos 60 lançou as bases para sua saída do sacerdócio católico. Os treinadores trabalharam a partir de uma orientação fenomenológica. Eles estavam preocupados em reconhecer o essencial de toda a diversidade presente, sem intenção, medo e preconceitos, baseando-se exclusivamente no que “aparece”. Ele ficou profundamente impressionado com a maneira como seus métodos mostraram que era possível que os opostos se reconciliassem através do respeito mútuo.

No final dos anos 1960, abandonou o clero e voltou à Alemanha, onde passou a estudar Gestalt-terapia. Mudou-se para Viena para estudar psicanálise. Ali, conheceu sua primeira esposa, Herta, psicoterapeuta. Em 1973, mudou-se para a Califórnia para estudar Terapia Primal com Arthur Janov. Lá, se interessou pela Análise Transacional, uma das mais importantes influências na criação da Constelação Familiar, também conhecida por Constelações Sistêmicas Familiares. Na Constelação Familiar, abordagem fenomenológica criada por Bert Hellinger, emaranhamentos podem ser resolvidos através da libertação de antigos laços inconscientes, facilitando o restabelecimento das Ordens do Amor e uma vida autorresponsável e feliz é colocada em foco.

Hellinger se divorciou de Herta e casou-se com Marie Sophie, com quem organizava cursos, oficinas e seminários em vários países.

Com quase 70 anos, ele não havia documentado suas idéias e abordagens, nem havia treinado os alunos para seguir seus métodos. Ele concordou com o psiquiatra alemão Gunthard Weber em gravar e editar uma série de transcrições do workshop. Até 2018, Bert Hellinger tinha escrito um total de 90 livros, traduzidos em 30 idiomas, como por exemplo:

O legado de Bert Hellinger é reconhecido no mundo inteiro na psicoterapia, nas organizações, na educação, na saúde, na justiça e na orientação das relações, da alma e no sentido da vida.

Como fã do trabalho e legado deste incrível ser humano e profissional que foi Bert Hellinger, deixo aqui minha gratidão eterna pela amplitude de entendimento das dinâmicas da vida e das relações que a Constelação Familiar traz para quem a vivencia. Que exemplo de inspiração, de uma vida bem vivida com uma bela missão cumprida.

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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

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