As ordens do amor entre homem e mulher – por Bert Hellinger

As ordens do amor entre o homem e a mulher são diferentes das ordens do amor entre pais e filhos. Por isso a relação do casal sofre abalo e fica perturbada quando o casal transfere irrefletidamente para ela as ordens do relacionamento entre pais e filhos.

Se, por exemplo, numa relação de casal, um parceiro busca no outro um amor incondicional, como uma criança busca em seus pais, ele espera receber do outro a mesma segurança que os pais dão a seus filhos.

Isso provoca uma crise na relação, fazendo com que aquele de quem se esperou demais se retraia ou se afaste. E com razão, pois ao se transferir para a relação de casal uma ordem própria da infância, comete-se uma injustiça para com o parceiro.

Quando, por exemplo, um dos parceiros diz ao outro: “Sem você não posso viver” ou: “Se você for embora eu me mato”, o outro precisa se afastar, pois tal exigência entre adultos no mesmo nível hierárquico é inadmissível e intolerável.

Já uma criança pode dizer algo assim a seus pais, porque sem eles realmente não pode viver. Inversamente, se o homem ou a mulher se comporta como se fosse autorizado a educar o parceiro e tivesse a necessidade de fazê-lo, arroga-se, em relação a alguém que lhe é equiparado, direitos semelhantes ao dos pais em relação aos filhos.

Neste caso, frequentemente o parceiro se esquiva à pressão e busca alívio e compensação fora do relacionamento. Portanto, faz parte das ordens do amor na relação entre o homem e a mulher que ambos se reconheçam como iguais.

Qualquer tentativa de colocar-se diante do parceiro numa atitude de superioridade, própria dos pais, ou de dependência, característica da criança, restringe o fluxo do amor entre o casal e coloca em perigo a relação. Isso também se aplica ao equilíbrio entre o dar e o tomar.

Na relação de pais e filhos, são os pais que dão e são os filhos que tomam. Toda tentativa dos filhos de aplainar o desnível existente entre eles e seus pais é frustrada. Por essa razão, os filhos permanecem sempre em dívida com seus pais, e quanto menos conseguem pagá-la, tanto mais intimamente permanecem vinculados a eles.

Porém, como querem afirmar-se e desenvolver-se através de suas próprias ações, o sentimento de dívida que os vincula aos pais os motiva também a sair de casa. Se um dos parceiros der ao outro como um pai ou uma mãe dá a uma criança, por exemplo, custeando-lhe uma formação superior durante o casamento, aquele que recebeu tanto já não pode equiparar-se ao doador.

Embora permaneça obrigado a agradecer-lhe, geralmente o deixará quando se formar. Só poderá equiparar-se novamente ao parceiro e permanecer com ele quando o compensar plenamente, tanto pelas despesas quanto pelo esforço.”

Bert Hellinger (1925 – 2019) foi um psicoterapeuta alemão, criador das Constelações Familiares, que na sua jornada na Terra nos deixou um legado de mais de 14 livros, cujos títulos mais procurado são Ordens Do Amor: Um Guia Para o Trabalho com Constelações Familiares e A Simetria Oculta do Amor.

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Sobre o Autor

Bert Hellinger
Bert Hellinger

(1925 – 2019) foi um psicoterapeuta alemão, criador das Constelações Familiares, autor de mais de 14 livros

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