A parábola do barco vazio

Você já sentiu raiva a ponto de afetar seu corpo e comportamento? O que tira você do sério? Hoje quero levar você a refletir junto comigo sobre as possibilidades de lidar com este sentimento, a partir deste texto do livro O barco vazio, do Osho, que traz uma grande lição.

Um dos maiores mestres zen Lin Chi, costumava dizer: quando eu era jovem, adorava andar de barco. Eu tinha um barquinho e remava sozinho num lago. Eu ficava ali durante horas. Uma vez, eu estava no meu barco, de olhos fechados, meditando, numa noite esplêndida. Então outro barco veio flutuando, trazido pela corrente, e bateu no meu. Meus olhos estavam fechados, então pensei: alguém bateu o barco no meu. Enchi-me de raiva.
Abri os olhos e estava pronto a vociferar algo para o homem, quando percebi que o barco estava vazio!
Então não havia onde descarregar a minha raiva. Em quem eu iria extravasá-la? O barco estava vazio, à deriva no lago e tinha colidido com o meu. Então não havia nada a fazer. Não havia possibilidades de projetar a raiva num barco vazio. Eu fechei os olhos. A raiva estava ali. Mas não sabia como extravasar. Eu fechei os olhos simplesmente e flutuei de volta com a raiva. E esse barco vazio tornou-se a minha descoberta. Eu atingi um ponto dentro de mim naquela noite silenciosa. E esse barco vazio foi meu mestre. E, se agora alguém vem me insultar, eu rio e digo: esse barco também está vazio.
Fecho os olhos e mergulho dentro de mim”.

Osho, do livro “O barco vazio

Como você interpreta o barco vazio?

Lin Chi sentiu muita raiva quando o outro barco colidiu com o dele. Foi então que percebeu que o barco estava vazio e não tinha ninguém em quem descontá-la. Esse texto me tocou por três razões que vou compartilhar com você:

  • Fez com que eu percebesse que a raiva parte de mim mesma, não é o outro que traz a raiva e a deposita em mim.
  • A raiva é uma forma de autoconhecimento, uma vez que o fator que provoca a manifestação da raiva é único em cada pessoa, portanto ela pode ser uma grande aliada pra descobrir o que gera frustração em mim.
  • Percebi que a raiva está muito atrelada à forma com que eu olho para as situações da vida, e se eu mudo o olhar, posso usar a raiva de forma construtiva ao invés de destrutiva.

Enfim, esta parábola me trouxe o ponto de vista de que quando sinto raiva, as pessoas ou situações envolvidas podem ser barcos vazios, e ao invés de projetar a raiva posso senti-la como um mergulho dentro de mim mesma, ampliar o olhar e transformá-la em autoconhecimento, nutrindo virtudes como a paciência e a tolerância, por exemplo. Lembrando que não precisamos sentir vergonha da raiva, ela é boa, poderosa e nos leva a agir. A questão é não exagerar a dose. Se você se interessa por este tema, leia a A Virtude da Raiva, de Arun Gandhi.

E você, o que levou deste texto? Escreva abaixo nos comentários. Não deixe os barcos vazios tirarem a paz do seu dia. São nestes momentos que temos a oportunidade de treinar a serenidade e nossa capacidade de estar em paz, independente da paisagem exterior. Desta forma, você torna o lugar onde está (dentro de você mesmo) um lugar feliz e viverá cada vez melhor.

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Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.