A Constelação Sistêmica Familiar do coronavírus

Como você está olhando para a pandemia do coronavírus e como este momento está impactando na sua vida?

Para trazer uma perspectiva sobre o que estamos vivendo globalmente e a oportunidade de aprendizados e curas que as crises trazem, quero compartilhar com você uma constelação sistêmica que foi feita sobre o coronavírus pela consteladora Brigitte Champetier de Ribes. Um ponto que me chamou a atenção no relato da consteladora foi a relação do medo de morrer coletivo com o medo de morrer de bebês e fetos por conta da política de um filho por família na China. Estima-se que o aborto seletivo impediu o nascimento de 23,1 milhões de mulheres.

Para entender melhor a constelação sobre o coronavírus, de acordo com Brigitte, precisamos lembrar que um vírus é o transmissor de uma doença de resolução. “Resolução de um conflito biológico. As epidemias são transmitidas a todos que experimentaram a resolução de um conflito biológico semelhante nos meses anteriores. Aqui a constelação mostrou que o conflito biológico era: medo, vergonha e culpa pela eliminação de bebês e fetos, principalmente meninas. Medo da gravidez das mães e possível morte por aborto”.

Veja o relato da consteladora sobre a Constelação Sistêmica do coronavírus com nossa tradução em português. Na descrição da essência desta constelação, foram omitidas as palavras “representante de”.

Constelando o coronavírus

“O coronavírus começou a circular olhando para o chão. Isso mostrou que ele estava pagando pela culpa coletiva. Muitos fetos e mulheres grávidas mortas surgiram, muitos segredos. O chão estava completamente coberto de cadáveres. Os afetados estavam de pé, olhando para os mortos. Alguns entraram em colapso. Alguém representou os não afetados. Ele não queria ver aqueles mortos e estava dobrado de dor e desconforto, preso com outros mortos. O vírus e outros representantes mostraram medo, vergonha e culpa; muito envergonhado.

Até os assistentes estavam dizendo frases como: “Vejo sua dor, vejo o medo de morrer, vejo a vergonha do que aconteceu, vejo o insuportável.” “Vocês todos pertencem. Meninas também. Amo vocês.” “Está tudo acabado.” “O vírus comentou que olhou muito para uma garota morta”. Quando as sentenças foram proferidas, os mortos lentamente fecharam os olhos, os vivos continuaram a olhá-los em paz; então vários voltaram à vida e o vírus estava se afastando. O holograma do coronavírus se separou do vírus e voltou à vida, olhando os mortos da vida, chorando de coração partido. O campo de origem foi anexado a esse campo de dor. Pouco a pouco ele foi em direção à vida. Suas palavras foram que “tudo era necessário, não apenas para a China. Seus braços abertos estendiam-se além, além do mundo inteiro, estendiam-se ao cosmos. Isso atingiu todo o cosmos. “

A manifestação do coronavírus e a sua busca de remissão no individual e coletivo

Bert Hellinger observou que muitas doenças refletem mecanismos de compensações de comportamentos que estão buscando soluções ainda não encontradas em seus organismos anímicos. Assim, ao se manifestarem como doença orgânica, trazem à consciência aquilo que está invisível, causando um desequilíbrio no indivíduo, na família e na sociedade, como no caso do coronavírus.

A Constelação Sistêmica traz três aspectos essenciais para a compreensão da manifestação de doenças. Trata-se de compreender o seu pertencimento, a sua ordem de manifestação e o tipo de compensação que os organismos buscam para adquirir o seu equilíbrio vital por meio de um adoecimento. O coronavírus está mudando o comportamento não só dos indivíduos infectados, mas de todo o coletivo. No caso de uma doença contagiosa que assume proporções de pandemia, é preciso compreender a manifestação da doença não apenas no âmbito individual em uma família, mas precisamos compreender as questões sociais, dos grupos e de todo um país, dada as proporções em que se manifesta a doença.

Considerando que a contaminação atinge à todas as pessoas sem distinção, seu processo de contaminação sugere uma relação com questões sistêmicas das políticas públicas e das questões da saúde social de todo o povo do país infectado. Neste sentido, a visão sistêmica pode trazer uma compreensão que nos dá perspectivas ampliadas.

De acordo com Marcelo Canal, é possível analisar cada uma das três classes de manifestações sistêmicas da doença:

  1. A análise sistêmica da manifestação do princípio de pertencimento do coronavírus pode ser compreendida pela sua taxonomia. O vírus pertence ao grupo de vírus de genoma de RNA simples de sentido positivo e à subfamília taxonômica Orthocoronavirinae da família Coronaviridae, da ordem Nidovirales. E, pelo fato de não pertencer a nenhum reino, ele se utiliza da vida, ou seja, do reino de seu hospedeiro. Além de ser o único ser celular composto por um invólucro de proteína com DNA ou RNA. Desta forma, sistemicamente, isto significa dizer que ele se instala como doença em conflitos relacionados a processos de interrupções da vida.
  2. Outro aspecto está relacionado à dinâmica do princípio de ordem: o fato da doença estar numa classificação de carácter epidêmico, implica dizer que se trata de comportamento coletivo, como no caso de resolução de leis que são transmitidas a todos os que vivem num conflito semelhante. Como no caso da imposição de interrupções de gravidez e exclusão de meninas em muitos desses casos na China.
    As pessoas ao longo da vida podem se infectar com processos viróticos comuns. No caso da coronavírus um estudo genético confirmou que o 2019-nCoV foi transmitido aos humanos por um animal silvestre desconhecido, infectado por morcegos. Este tipo de infecção não é um tipo de manifestação das chamadas doenças de desenvolvimento natural mas algo completamente fora das chamadas doenças de desenvolvimento.
  1. Na manifestação do princípio de equilíbrio que a doença busca uma compensação, a atuação do coronavírus está relacionada à manifestação dos sintomas da febre, de disfunções respiratórias e de dores no sistema do metabolismo. Este quadro de manifestações são formas de compensações sistêmicas que se relacionam aos sintomas do medo, da vergonha e da culpa. Estes comportamentos são reações relacionadas aos processos de interrupções da vida como pode acontecer em situações de interrupções da vida pelo aborto.

A Remissão do coronavírus

Para se conseguir a remissão da doença será preciso encontrar uma forma para se lidar com o processo de interrupção da vida em grande escala. O tempo não volta, mas é possível se dar lugar para todos aqueles que estão excluídos. Portanto, a constelação tem como finalidade dar lugar a todos que foram excluídos da vida para que possam finalmente ocupar seu lugar de honra no sistema.

As experiências da constelação realizada por Brigitte Champetier de Ribes mostraram que, quando o Holograma da doença é colocado no campo, os representantes começam a circular cabisbaixos, manifestando falhas coletivas. O campo passa a ser ocupado por representantes de fetos e mulheres grávidas mortas.

Então são trazidos representantes terapeutas, que não são afetados e ficam de pé. Eles olham para os vivos e  buscam por aqueles que de alguma forma evitam olhar para os seus mortos. Aos poucos todos passam a se curvar perante a dor e o sofrimento. Só então, quando conseguem olhar e dar lugar a eles em seu coração, muda a dinâmica e os representantes da doença partem. Neste momento, o vírus e outros representantes carregam consigo o medo, a vergonha e a culpa, dando lugar para a compaixão dos vivos que passam a ser guiados pelos representantes da vida. Ao mesmo tempo, são trazidas ao campo palavras de ordem como: “Eu vejo a sua dor, vejo o seu medo da morte, vejo a vergonha do que aconteceu. A vida passa a buscar nas mães que antecederam, as forças para ver o insuportável. E aos poucos a vida vai abrindo espaço no interior do grupo e todos passam a ser incluídos no sistema. A partir de então, o vírus começa também a olhar para a nova ordem e o Holograma do Coronavírus pode se separar dos vivos e leva do campo a dor e o sofrimento. Então uma certa atmosfera de paz passa a predominar.

O aprendizado que podemos tomar a partir deste sofrimento é universal e humanitário, não apenas para a China, permitindo que cada um possa contribuir nesta remissão como membros que fazem parte de um só organismo chamado humanidade.

Agora me conta, como está sendo este processo para você? Quais desafios está enfrentando e quais aprendizados você considera mais significativos? Escreva abaixo nos comentários!

* Fonte: Brigitte Champetier de Ribes e Marcelocanal

Sobre o Autor

Sandrine Swarowsky
Sandrine Swarowsky

Desde que fui morar na Grécia em 2008, uma série de mestres e sincronicidades me despertaram para a dimensão espiritual. Isso me levou a uma crise vocacional e a partir disto a buscas que me levaram a um encontro extraordinário: o encontro comigo mesma, uma semente que venho cultivando e que vem crescendo e que, como toda grande colheita, é para ser compartilhada! Saiba mais em Autora.

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