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Autor Convidado

Psicologia Quântica – Por Amit Goswami, Ph. D.

Os conhecedores sabem que meu trabalho sobre a consciência quântica tem muito a dizer sobre como conceber uma psicologia científica que integra toda a psicologia e a maior parte da psicoterapia. Eu apresentei minha visão da Psicologia Quântica em uma conferência em Paris em maio de 2013. Aqui está um resumo disso.

O que é psicologia quântica?
A psicologia quântica é baseada em princípios quânticos. Sua premissa principal é de que todos os objetos de nossa experiência – por meio dos sentidos, sentimentos, pensamento e intuição – são objetos quânticos que possuem existência nos dois domínios – das possibilidades e o das realidades. Como possibilidades quânticas, elas estão inseridas em uma consciência holística não-local; como realidades, compõem quatro mundos independentes: o físico (para os sentidos), o vital (para o sentimento), o mental (para o pensamento/significados), o arquetípico ou o supramental (para a intuição). Esses mundos não interagem diretamente; suas interações são mediadas pela comunicação não sinalizada da consciência não-local.

Por que psicologia quântica?
A psicologia quântica é necessária para resolver as dicotomias de nossas experiências e, desse modo, integrar todas as psicologias que tratam todas as variedades de nossas experiências fragmentadas.

Onde aplicamos a psicologia quântica?
Bem, há política aqui e interesses investidos que querem manter afastado o novo. O novo torna as pessoas defensivas, especialmente quando estamos falando de grandes mudanças, como uma mudança de paradigma. Eu acho que a aplicação primeiro começará com você, leitor leigo, que gosta de autoajuda para a qual a psicologia quântica é apropriada como você verá quando o projeto estiver terminado. Terapeutas individuais adaptarão algumas das práticas da psicologia quântica em seguida. Com o tempo, como disse o filósofo Thomas Kuhn, os antigos paradigmas nunca mudam, mas eles morrem. Eu acho que a nova geração de psicólogos verá a força da abordagem integral quântica rapidamente, uma ciência unificada dentro da consciência e, a partir de então, não vai ter como voltar atrás. Quando a geração mais jovem assumir a academia, a academia vai mudar.

Quando a transição será concluída?
Em algumas décadas talvez.

Como?
Nós precisamos de ativismo. Há um perigo no que está acontecendo com a ciência materialista, especialmente na psicologia, que está sub-repticiamente matando o espírito humano individualista que fez a América, mas poucas pessoas notam. A psicologia materialista é objetiva; para os materialistas, é melhor que todos sejam apenas a média de “Joe ou Jane”, porque a previsão e o controle são mais simples assim. Hoje, jornalistas e políticos falam sobre individualismo desenfreado, mas o que eles querem dizer é narcisismo, um molde auto-centrado muito previsível no qual todos se encaixam. As psicologias alternativas, especialmente a psicologia profunda, psicologia humanista e psicologia positiva, promovem e encorajam o indivíduo através da ênfase de sua própria busca criativa individual dos arquétipos atemporais. A abordagem comum em qualquer vertente, seja na ciência cognitiva/comportamental ou no tipo de psicologia integral de Ken Wilber, que tenta minar os arquétipos antigos é, fundamentalmente, a maior ameaça à real individualidade americana, ao sonho americano.

Como James Hillman disse, “o ativismo [comum] olha para os fatos, o ativismo psicológico questiona as essências”. Os psicólogos de profundidade já falam sobre o ativismo arquetípico. Se não salvarmos os arquétipos absolutos da verdade atemporal, teremos más notícias. A psicologia quântica tem uma sugestão ainda mais geral: o ativismo quântico. O lema do ativismo quântico é mudar a si mesmo para se distinguir em sua individualidade (Carl Jung chamou isso de individuação) e, ao mesmo tempo, ajudar a sociedade a se tornar uma coleção de indivíduos heterogêneos, e não máquinas homogêneas!

Psicologia Integral – a visão da psicologia quântica.
Na psicologia quântica, reconhecemos a importância total do que o psicólogo humanista Carl Rogers sugeriu pela primeira vez: para se tornar uma pessoa, é preciso ser o criador criativo de uma nova ideia que é verdadeiramente sua ideia. Até que isso aconteça, encare isto: estamos apenas repetindo e analisando as ideias e opiniões de outras pessoas. Para se tornar uma sociedade quântica, temos que mudar a essência da sociedade do condicionamento para a da criatividade; temos que ajudar os outros na sociedade a serem criativos. E se alguém tem uma neurose tão severa que a criatividade é impossível, o rigor do processo criativo é insustentável. O psicoterapeuta quântico (e eu não necessariamente quero dizer um profissional) tem que emprestar a essa pessoa sua perspicácia criativa. Se não você, quem vai? Lembre-se de que os terapeutas cognitivos/comportamentais sempre tentarão adaptar seus clientes ao complexo cultural estabelecido.

Como fazer isso?
A física quântica nos deu duas idéias com as quais podemos nos mover do “eu” para a consciência do “nós”. A primeira ideia é a não-localidade. Quando estou influenciando alguém através de meios locais, a comunicação local, tento homogeneizar a pessoa comigo – natureza humana simples. Quando me comunico com alguém com consciência não-verbal e não-local, empodero ele ou ela com o poder criativo da causa descendente.

Você já percebeu como na cultura atual a localidade assumiu como nosso meio de comunicação? A localidade nos dá uma sensação de conectividade – essa parte é boa. Mas a tendência a homogeneizar é o problema. Devemos usar a localidade para nos conectar, mas usar a conectividade para acionar e explorar nossa consciência não-local para que todos possamos prosperar individualmente para cumprir nossa própria agenda criativa.

Para o terapeuta ou ativista, o que funciona melhor é estabelecer uma conexão hierárquica emaranhada de causalidade circular com o cliente e investigar o arquétipo da totalidade em conjunto. Se isso soa intrigante, não é tão difícil, você vai ver. Ken Wilber nos deu a ideia de uma consciência de quatro quadrantes que introduziu a noção da psicologia-“nós”. Infelizmente, Wilber quis dizer o cultural nós, a localidade homogênea nós. A psicologia quântica é muito mais ambiciosa, muito mais em sintonia com o propósito criativo da evolução da consciência.

O poeta John Keats escreveu:

Veja o mundo
como um Vale para fazer-alma.

Se você assim o fizer, ele escreveu para um amigo, você verá o propósito do mundo. A alma é o nosso corpo arquetípico, o corpo que não podemos manifestar a não ser através da criatividade mental. Mas enquanto formos criativos e ajudarmos os outros a serem criativos, estamos bem, estamos a fazer-alma.

Dr. Amit Goswami é ativista quântico, PhD em Física Quântica pela Universidade de Calcutá, professor aposentado do Departamento de Física da Universidade de Oregon, autor de diversos livros baseados na sua pesquisa em física quântica e consciência, incluindo “The Everything Answer Book”, o Universo Autoconsciente, Criatividade Quântica e A Física da Alma, um dos cientistas protagonizou o filme “Quem somos nós?”, também nos documentários Dalai Lama Renaissance e o premiado “O Ativista Quântico”. Mais informações: www.amitgoswami.org

Contribuição de Amit Goswami por meio do “Center for Quantum Activism” para o Blog Universo Transpessoal.

* Artigo traduzido com autorização por Sandrine Swarowsky.