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Psicologia Transpessoal

Ken Wilber e a Psicologia Integral

No modelo de Ken Wilber, criador da Psicologia Integral e do movimento Integral, a consciência se organiza em esferas evolutivas que sucessivamente incluem e transcendem a camada anterior, como na teoria do hólon, conceito holístico de Arthur Koestler, no qual qualquer “todo” conhecido é apenas um “hólon” (parte de um “todo” maior). Ou seja, a vida inclui e transcende a organização física e molecular onde ocorre; a mente, por sua vez, inclui e transcende a vida; a alma inclui e transcende a mente; e o espírito, a alma.

Aplicando-se à consciência humana, um hólon se manifesta em quatro quadrantes: eu, isto, nós, “istos” (isto coletivo), que formam o Sistema Operacional Integral (SOI). O SOI de Wilber é um mapa do ser humano e suas relações, cujo objetivo é promover uma linguagem comum que permita o diálogo interdisciplinar de forma menos reducionista, desenvolver a espiritualidade, integrar ciência e religião, propor soluções integrais para os problemas atuais da humanidade e proporcionar uma prática da vida integral.

De acordo com o livro “O Espectro da Consciência”, a cartografia da consciência de Ken Wilber contém três níveis, constituídos por diversos subníveis ou faixas, cujo conjunto se denomina o espectro da consciência, e que se inicia na fragmentação da Consciência Absoluta – a Consciência Cósmica das tradições espirituais. É marcante nas obras de Ken Wilber a abordagem teórica elaborada sobre a Dualidade e sua transcendência, e chama a atenção sua forma de pensamento como o dualismo primário, secundário e terciário.

Wilber me encanta como um grande “teórico sobre tudo” e me fascina a forma com que enfatiza em seu livro “O Espectro da Consciência” a limitação de qualquer forma de linguagem como forma de expressar a não-dualidade, e mais surpreendente é a sua eficiência em explicá-la em palavras, incluindo a citação do Sutra Lankavatara, um dos textos principais do Budismo Zen: “por meio da fala podemos entrar na verdade, mas as palavras não são a verdade. A verdade é a compreensão de si mesmo experimentada interiormente pelos sábios através de sua introvisão não-dual (separativa) e não pertence ao domínio das palavras, da dualidade ou do intelecto”.